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IPCA-15 cai 0,40%, mas mercado alerta que inflação ainda não foi vencida

IPCA-15 cai 0,40%, mas mercado alerta que inflação ainda não foi vencida

Energia elétrica explica 65% da deflação; resultado fortalece corte de 0,25 ponto na Selic, mas exige confirmação em serviços e núcleos

O IPCA-15 caiu 0,40% em agosto e surpreendeu positivamente o mercado, que esperava deflação de 0,30%. Apesar do resultado melhor que o previsto, o consenso entre os analistas é que a inflação ainda não pode ser considerada controlada, porque parte relevante do alívio veio de itens voláteis ou de efeitos que não devem se repetir nos próximos meses.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o indicador ficou 0,46 ponto percentual abaixo da alta de 0,06% registrada em julho. O IPCA-15 acumula avanço de 3,09% no ano e de 4,24% em 12 meses, abaixo dos 4,52% observados anteriormente e novamente dentro do intervalo de tolerância da meta.

“A inflação caiu 0,4% em agosto, surpreendendo positivamente o mercado, que esperava uma queda de 0,3%. O principal destaque veio da energia elétrica, que recuou 6,25% no mês com a incorporação do Bônus de Itaipu”, avaliou Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP.

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Energia, combustíveis e alimentos puxam deflação

A energia elétrica residencial caiu 6,25% e retirou 0,26 ponto percentual do índice geral. Sozinho, o item respondeu por aproximadamente 65% da deflação registrada no mês, devido à incorporação do Bônus de Itaipu nas contas de luz emitidas em agosto.

O efeito ocorreu mesmo com a manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 às contas a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Como o bônus possui caráter pontual, os analistas avaliam que parte dessa queda poderá ser devolvida nos próximos resultados.

Além da Habitação, que recuou 1,41%, Transportes caiu 1% e Alimentação e bebidas apresentou retração de 0,57%. Juntos, os três grupos retiraram 0,54 ponto percentual do IPCA-15, enquanto os demais componentes acrescentaram aproximadamente 0,14 ponto.

Nos transportes, as passagens aéreas ficaram 13,30% mais baratas e os combustíveis recuaram 1,43%. O etanol caiu 3,63%, a gasolina diminuiu 1,23% e o óleo diesel teve redução de 0,71%.

A alimentação no domicílio recuou 0,97%, com destaque para tomate, batata-inglesa, cenoura e café moído. Em contrapartida, a alimentação fora de casa avançou 0,42%. Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40%, Educação aumentou 0,46% e Despesas pessoais teve alta de 0,66%.

“O IPCA-15 de -0,40% é, à primeira vista, uma boa notícia: houve deflação no mês, não apenas desaceleração da inflação. Mas a leitura não é simples e a composição do índice importa; parte relevante do resultado veio de fatores não recorrentes, com destaque para a energia elétrica, beneficiada pelo Bônus de Itaipu”, afirmou Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital.

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IPCA-15 aumenta chance de corte da Selic

Embora a composição exija cautela, as análises convergem ao apontar que o IPCA-15 melhora o balanço de riscos para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom. O resultado fortalece a possibilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic em setembro, mas não torna a decisão automática.

A abertura dos dados também trouxe sinais favoráveis. Segundo a InvestSmart XP, a inflação de serviços avançou apenas 0,07%, abaixo da projeção de 0,27%. Os núcleos subiram 0,23%, também menos do que o mercado esperava. Ainda assim, serviços subjacentes e intensivos em mão de obra permanecem pressionados.

“O dado aumenta a chance de um novo corte da Selic em setembro, provavelmente de 0,25 ponto percentual, mas não garante a decisão. O Copom vai observar se essa melhora aparece também no IPCA cheio, na inflação de serviços e nos núcleos, além do câmbio e do cenário fiscal”, afirmou Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.

Outro ponto de consenso é que a surpresa abre espaço para revisões para baixo nas projeções de inflação de 2026. Parte das análises trabalha com a possibilidade de o IPCA terminar o ano próximo de 4,8%, abaixo da estimativa de 5,02% citada no último Boletim Focus, mas ainda acima do teto de 4,50%.

O IPCA oficial, utilizado no sistema de metas, acumulava alta de 3,44% até julho. Para encerrar 2026 em 4,50%, a inflação precisaria avançar, em média, aproximadamente 0,20% ao mês entre agosto e dezembro. Uma deflação no IPCA cheio de agosto semelhante à observada no IPCA-15 melhoraria essa conta.

“A aritmética dimensiona o desafio. O IPCA oficial acumula 3,44% até julho. Para o ano fechar em 4,5%, a inflação de agosto a dezembro precisaria rodar próxima de 0,20% ao mês, em média. O dado de hoje ajuda, mas o teste é outro: transformar inflação corrente mais baixa em desinflação persistente”, afirmou Viana de Jesus.