O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira (7) a suspensão dos ataques planejados contra a infraestrutura iraniana por um período de duas semanas, revertendo uma escalada de tensão da guerra no Irã que havia gerado pânico nos mercados globais e ameaçado o fornecimento mundial de energia por cinco semanas consecutivas.
O anúncio foi feito no Truth Social menos de duas horas antes do prazo final das 20h (horário do leste dos EUA), que o próprio Trump havia estabelecido no domingo após exigir, em tom beligerante, que o Irã “abrisse o maldito estreito”. A medida está condicionada à “abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz” pela República Islâmica, conforme escreveu o presidente.
“Este será um cessar-fogo bilateral!”, declarou Trump, acrescentando que a decisão foi tomada “com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão”.
A reação dos mercados foi imediata. Os futuros do índice Dow Jones Industrial Average avançaram 718 pontos, equivalente a alta de 1,5%, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 subiram 1,6% e 1,7%, respectivamente — movimento que reflete o alívio dos investidores diante do recuo do risco de um conflito aberto no Oriente Médio.
No mercado de commodities, o efeito foi inverso. Os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) chegaram a cair até 16% após o anúncio, com o barril sendo negociado a cerca de US$ 102 — queda que sinaliza o fim imediato da escassez temida com o bloqueio do estreito, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo.
Escalada e recuo em poucas horas
O dia havia começado em tom dramático. Horas antes da trégua, Trump publicou uma mensagem de tom apocalíptico:
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, disse ele.
A declaração amplificou o pânico em mercados nos EUA e ao redor do mundo. O conflito, que já durava cinco semanas, havia resultado no fechamento do Estreito de Ormuz — passagem estratégica por onde transita parcela significativa do fornecimento global de energia —, provocando queda acentuada nas bolsas internacionais e pressão sobre os preços do petróleo nas semanas anteriores.
A suspensão dos ataques abre uma janela diplomática, mas a situação permanece frágil. A adesão do Irã às condições impostas por Washington ainda é incerta, e o prazo de duas semanas impõe um horizonte estreito para negociações que envolvem uma das disputas geopolíticas mais sensíveis da atualidade.
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