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Futuro elétrico da Ferrari: exclusividade, inovação e crescimento no mercado de luxo

Futuro elétrico da Ferrari: exclusividade, inovação e crescimento no mercado de luxo

No Capital Markets Day, a Ferrari detalha sua estratégia elétrica e reforça o equilíbrio entre escassez, tecnologia proprietária e crescimento sustentável

O futuro elétrico da Ferrari marcou o tom do mais recente Capital Markets Day da montadora italiana. A estratégia combina eletrificação, tecnologia proprietária, exclusividade, crescimento sustentável e valor de marca. Durante o evento em Maranello, executivos detalharam avanços técnicos e projeções financeiras, ao mesmo tempo em que reforçaram a identidade da empresa como símbolo máximo do luxo automotivo.

Sean Sun, gestor de portfólio da Thornburg, participou do encontro e destacou a expectativa em torno do primeiro modelo totalmente elétrico da marca. Segundo ele, o evento atraiu atenção global, mas a reação do mercado foi mista após a divulgação das projeções. Ainda assim, a mensagem estratégica foi clara: a Ferrari não quer apenas entrar no segmento elétrico, quer redefini-lo dentro do universo do luxo.

A empresa também apresentou sua nova fábrica de US$ 250 milhões, conhecida como “E-building”, onde serão produzidos veículos elétricos e híbridos. O espaço simboliza a transição para uma nova era, sem abrir mão da tradição.

Tecnologia proprietária e redução de peso

A chamada Ferrari elétrica será oficialmente apresentada no início de 2026. Embora o design ainda não tenha sido revelado por completo, a companhia mostrou tecnologias desenvolvidas internamente, como o conjunto de baterias de alta voltagem substituível ao longo do tempo, motores elétricos dedicados a cada eixo e um sistema exclusivo de suspensão ativa.

Sean Sun relatou que, em conversa direta com o CEO Benedetto Vigna, perguntou do que ele mais se orgulhava no projeto. Vigna respondeu que o maior feito foi a redução de peso do veículo. Segundo ele, o desafio era claro: carros elétricos costumam ser mais pesados devido às baterias. A solução foi redesenhar chassi e componentes para preservar a dirigibilidade típica da marca.

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Em relato indireto, Sun afirmou que o executivo enfatizou que o novo modelo “faz curvas rápidas como se espera de uma Ferrari”. A redução de peso, portanto, não é apenas um dado técnico, mas parte central da promessa de manter a essência esportiva na era da eletrificação.

Exclusividade como motor de valor

Apesar de produzir cerca de 13 mil veículos por ano, a Ferrari mantém apenas 90 mil clientes ativos no mundo. Esse número revela o foco na escassez como estratégia de longo prazo. Para a Thornburg, a empresa vende mais do que carros: vende pertencimento e exclusividade.

O mercado reagiu negativamente às projeções de crescimento acima de 5% ao ano até 2030, com estimativas de lucro por ação abaixo do esperado. As ações chegaram a cair cerca de 15% no dia. Ainda assim, Sean Sun considera a orientação conservadora. Ele lembrou que, no passado, a Ferrari superou metas de cinco anos em menos de quatro.

Atualmente, a companhia vale aproximadamente US$ 70 bilhões e negocia a cerca de 35 vezes os lucros, múltiplo elevado em relação a montadoras tradicionais, mas alinhado a marcas globais de luxo. A avaliação reflete não apenas margens robustas, mas a percepção de longevidade da marca.

Crescimento sustentável no luxo italiano

A viagem à Itália também incluiu encontros com a liderança da Ferrari e da Brunello Cucinelli, reforçando como o setor de luxo equilibra expansão e exclusividade.

Brunello Cucinelli defende o chamado “capitalismo humanista” e um crescimento controlado de 10% ao ano para evitar saturação. Em conversa relatada por Sun, o fundador afirmou diretamente que não quer ver sua marca em todos os lugares. Indiretamente, deixou claro que a expansão descontrolada pode comprometer o desejo e o prestígio.

A lógica é semelhante à da Ferrari: crescer, mas sem diluir a marca. No caso da montadora, a eletrificação surge como novo vetor de receita, apoiado por aumentos de preço e lançamentos de modelos como o supercarro F80 e substituições com ágio relevante.

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