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Europa entre em nova “guerra” tarifária, diz ING; ações caem

Europa entre em nova “guerra” tarifária, diz ING; ações caem

Ameaça de tarifas dos EUA ligadas à Groenlândia derruba bolsas europeias, pressiona setores cíclicos e reacende tensões comerciais transatlânticas

Os mercados europeus iniciaram a semana sob forte pressão após a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor novas tarifas comerciais a países da Europa. A possibilidade de uma nova guerra tarifária envolvendo tarifas dos EUA, Europa e Groenlândia elevou a aversão ao risco e levou a uma queda generalizada das ações no continente.

Investidores reagiram ao anúncio feito por Trump nas redes sociais, no qual condiciona a suspensão das tarifas a um acordo que permita aos EUA “comprar completa e totalmente a Groenlândia”, território autônomo ligado à Dinamarca. Segundo o plano divulgado, as tarifas começariam em 10% a partir de fevereiro e poderiam chegar a 25% em junho, caso não haja acordo.

Para analistas, o episódio reforça a percepção de que o comércio internacional voltou a ser usado como instrumento político. A reação negativa dos mercados reflete não apenas o impacto direto das tarifas, mas sobretudo o aumento da incerteza sobre regras, cadeias produtivas e relações diplomáticas.

Setores mais expostos lideram as perdas

As quedas foram mais intensas em setores altamente dependentes do comércio exterior. Montadoras europeias e empresas de bens de luxo estiveram entre as mais penalizadas, refletindo a sensibilidade dessas indústrias a barreiras comerciais e ao enfraquecimento da demanda internacional.

De acordo com Gerson Brilhante, analista da Levante Inside Corp, “a perspectiva de tarifas punitivas contra aliados tradicionais aumenta a incerteza sobre o comércio global e a cadeia de valor, reduzindo a tolerância ao risco por parte dos investidores”. Ele avalia que segmentos como automotivo, luxo, varejo e exportadoras tradicionais “mostram maior vulnerabilidade a um ambiente de barreiras mais altas”.

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Em contraste, ações do setor de defesa registraram ganhos pontuais, movimento visto como típico em momentos de tensão geopolítica. Ainda assim, o saldo do dia foi amplamente negativo, com perdas disseminadas entre as principais bolsas do continente.

ING vê retorno de uma guerra comercial mais dura

Em análise divulgada no fim de semana, economistas do ING afirmaram que a Europa “se vê novamente envolvida em uma nova e mais severa disputa tarifária”. Para o banco, o anúncio de Trump soou como um alerta claro de que “não existe mais certeza em relação ao comércio ou às tarifas”.

Segundo o ING, o novo episódio reabre efetivamente a guerra comercial entre EUA e União Europeia, apesar da trégua temporária firmada meses atrás. A instituição destaca que, desta vez, a justificativa para as tarifas é “ainda mais política e menos econômica”, o que aumenta os riscos e dificulta negociações previsíveis.

Os analistas ressaltam que ainda não está claro como as tarifas seriam implementadas na prática, já que não houve comunicação oficial da Casa Branca. Mesmo assim, o simples anúncio já foi suficiente para provocar volatilidade e reacender temores nos mercados.

Risco de retaliação e impacto econômico

A reação política na Europa foi dura. Líderes classificaram a ameaça como inaceitável e sinalizaram apoio à Dinamarca. O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a mencionar a possível ativação do instrumento anticoerção da União Europeia, mecanismo que permite impor tarifas e restrições a países considerados infratores.

Para o ING, tarifas adicionais de 25% poderiam reduzir o crescimento do PIB europeu em cerca de 0,2 ponto percentual. O banco alerta, no entanto, que modelos econômicos não capturam totalmente o impacto da incerteza prolongada e do desgaste nas relações transatlânticas.

O relatório conclui que, embora a Europa sinalize disposição para resistir, a interdependência econômica e de segurança com os EUA limita as opções do bloco. “Uma guerra comercial declarada entre a UE e os EUA só deixaria perdedores”, resume o ING, destacando que o momento é crítico para o futuro da relação entre os dois lados do Atlântico.

ETFs europeus mostram resiliência apesar do ruído político

Apesar do aumento das tensões e do discurso mais agressivo dos EUA, os mercados europeus ainda carregam um histórico recente bastante positivo. Segundo Fernanda Guardian, sócia da Guardian Capital, o desempenho das bolsas europeias em 2025 foi, em vários casos, superior ao do mercado americano, contrariando a percepção de fragilidade do continente.

Ela destaca que alguns ETFs de ações europeias entregaram retornos expressivos no ano passado. Houve casos de fundos focados em mercados específicos que mais do que dobraram o desempenho do S&P 500, refletindo um ciclo favorável para economias europeias menos óbvias e uma forte valorização dos ativos locais. Esse movimento ajuda a contextualizar o momento atual, em que correções pontuais podem estar mais ligadas a um ajuste de preços do que a uma mudança estrutural de cenário.

No contexto direto do conflito envolvendo a Groenlândia, França e Alemanha rejeitaram publicamente o uso de tarifas como instrumento de pressão política por parte dos EUA e chegaram a mencionar a possibilidade de uma resposta conjunta. Ainda assim, o comportamento dos ETFs mostra um mercado relativamente estável: ações alemãs registravam leve alta, enquanto o ETF francês operava com pequena queda. Para Guardian, isso indica que “as declarações de Trump, até o momento, não tiveram impacto significativo”, e que oscilações pontuais podem refletir mais a exuberância vista em 2025 do que um efeito direto das falas recentes.

Metais preciosos ganham protagonismo em meio à incerteza

Se nos mercados acionários o impacto ainda parece contido, o mesmo não pode ser dito dos metais preciosos. Fernanda Guardian chama atenção para o fato de que conflitos geopolíticos historicamente favorecem ativos considerados proteção contra riscos sistêmicos, como ouro e prata.

Com o aumento da incerteza em torno do comércio internacional e das relações transatlânticas, o ouro nos mercados futuros abriu em forte alta, enquanto a prata segue renovando máximas consecutivas. Esse movimento reforça a leitura de que parte dos investidores está buscando segurança, mesmo sem abandonar totalmente os ativos de risco.

Na avaliação da gestora, o desempenho dos metais funciona como um termômetro do desconforto global. Ainda que bolsas europeias mostrem resiliência no curto prazo, a migração parcial para ativos defensivos sinaliza cautela. Em um ambiente de guerra tarifária, tarifas dos EUA e disputas políticas envolvendo a Europa e a Groenlândia, o comportamento desses mercados pode antecipar mudanças mais profundas no apetite ao risco nos próximos meses.

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