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A luta ainda não terminou: Tudo sobre o acordo entre UE-Mercosul

A luta ainda não terminou: Tudo sobre o acordo entre UE-Mercosul

Tratado representa “um dos maiores acordos de livre-comércio do mundo”, cobrindo mais de 700 milhões de pessoas e 20% do PIB global

Depois de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul enfim avança, mas permanece cercado por incertezas políticas e fortes resistências internas. Segundo análise dos economistas do ING — Julian Geib, Thijs Geijer, Rico Luman e Ewa Manthey— o tratado representa “um dos maiores acordos de livre-comércio do mundo”, cobrindo mais de 700 milhões de pessoas e 20% do PIB global.

Ainda assim, como alertam os autores, “a luta ainda não acabou”, especialmente porque o Parlamento Europeu pode atrasar ou até travar a implementação.

Um dos eixos centrais do acordo é o papel das matérias-primas críticas. Os economistas afirmam que esse componente é “um elemento-chave do acordo”, sublinhando que o bloco europeu depende fortemente da China para minerais estratégicos enquanto Mercosul — especialmente Argentina e Brasil — possui reservas abundantes de lítio, nióbio, tântalo e grafite natural.

A parceria busca diversificar fornecedores, fortalecer segurança de cadeias produtivas e permitir investimentos europeus em processamento local. Trata-se, afirmam os autores, de uma disputa geopolítica crescente, na qual o acesso a recursos naturais “se tornou um pilar do poder global”.

No plano político, a assinatura do acordo foi destravada após a Comissão Europeia aceitar novas salvaguardas ambientais e compensações aos agricultores europeus. Segundo o ING, o apoio da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni foi decisivo.

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(Imagem: União Europeia e Mercosul – Agência Brasil)

“Isso permitiu alcançar a maioria necessária sem o consentimento da França”, observam os economistas. Mas o risco permanece: partidos do Parlamento Europeu defendem levar o texto à Corte de Justiça da UE, o que poderia congelar o processo por até 18 meses.

A implementação também será longa. Tarifas sobre 91% dos bens comercializados serão eliminadas gradualmente. Setores tradicionalmente tarifados, como automóveis, autopeças e laticínios, terão reduções distribuídas ao longo de cinco a dez anos.

Para o agronegócio, o acordo abre espaço para maiores cotas de importação de carne bovina, aves e açúcar — tema altamente sensível na Europa. Como explicam Geib, Geijer, Luman e Manthey, a resposta da Comissão Europeia incluiu “salvaguardas para suspender tarifas preferenciais” e a criação de um fundo agrícola de €6,3 bilhões, além da realocação de €45 bilhões para apoiar o setor rural no próximo orçamento.

O acordo ainda é dividido em dois instrumentos: o iTA, focado no comércio, que entra em vigor após aprovação do Parlamento Europeu; e o EMPA, mais amplo, que exige ratificação dos 27 países-membros — um processo que pode levar anos. Os economistas lembram que o acordo com o Canadá (CETA) está “provisoriamente aplicado desde 2017” e ainda não foi ratificado por todos, mostrando o potencial de atrasos.

Do ponto de vista econômico, o impacto direto será modesto: o PIB da UE deve subir 0,1% até 2032; o do Mercosul, 0,3%. Mas o valor simbólico e geopolítico é amplo. O acordo reforça a autonomia estratégica europeia, diversifica rotas comerciais e contrabalança a influência de Estados Unidos e China. “O verdadeiro valor do acordo vai além da economia”, afirmam os economistas. Ele fortalece o papel da UE como ator global e cria uma janela para destravar outros acordos parados há anos.

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