A EQI Asset revisou para cima sua projeção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do Brasil, para o ano de 2023. O índice calculado pela empresa agora é de 5,0%, ante 4,6% na projeção anterior, devido principalmente a dois fatores: um aumento acima do esperado nas passagens aéreas e a estabilidade no preço internacional do petróleo.
O economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz, explica que o setor de passagens aéreas deve ter um impacto maior que o esperado inicialmente, como já sinalizado pelo IPCA-15 de setembro. A prévia da inflação mensal, anunciada na semana passada, foi de 0,35%, mas o setor de passagens aéreas, isoladamente, registrou alta de 13,29%.
“Esse é um setor que está sofrendo um choque forte de aumento de combustíveis. Mas, como está bastante aquecido, as empresas conseguem repassar esse reajuste para as tarifas”, aponta o analista.
Sobre o preço do petróleo, Kautz aponta que dificilmente a commodity cairá muito abaixo de US$ 95 o barril do tipo Brent, pelo menos até o fim do ano. Na projeção anterior, esse valor recuaria para perto de US$ 85.
“Mesmo com o câmbio depreciado no atual momento, a gente projetava uma queda no preço dos combustíveis que não deve mais acontecer. São efeitos que não devem atrapalhar a condução da política monetária, mas que vão deixar a inflação um pouco mais alta que nos meses anteriores”, completa o economista-chefe da EQI Asset.
Stephan Kautz acredita que esses impactos não vão afetar, a princípio, o ritmo de queda da Selic pelo Copom nas próximas reuniões. “São efeitos que não devem atrapalhar a condução da política monetária, porque não têm a ver necessariamente com a demanda doméstica, mas a gente vai ver uma inflação um pouco mais alta do que se esperava nos meses anteriores”, explica.
Para o ano que vem, a projeção do IPCA pela EQI Asset foi mantida em 3,7%. “A gente entende que esses choques são de curta duração e vão se concentrar no período de agora até o fim do ano, especialmente em dezembro, que é um mês em que sazonalmente a inflação costuma subir, por causa dos alimentos e das festas de fim de ano”, conclui Kautz.
Ouça o comentário completo do economista-chefe da EQI Asset abaixo.






