O cenário de guerra no Irã, que está causando um choque do petróleo internacional, causa uma natureza dupla para o Brasil, que é um exportador líquido da commodity. Relatório do banco Santander (SANB11) prevê que um dos principais impactos será no dólar, que deverá chegar a R$ 5,40 ao fim deste ano e a R$ 5,50, no ano que vem.
Ao mesmo mesmo tempo, o banco prevê uma melhora do déficit em conta corrente para 2,2% e 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB), respectivamente.
Segundo o relatório, o mesmo choque, contudo, também eleva custos domésticos e a persistência inflacionária. Espera-se que os preços do petróleo permaneçam mais altos por mais tempo.
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“Revisamos nossas projeções para o Brent para US$ 90/barril no segundo semestre deste ano e US$ 80/barril em 2027. Isso se transmite para a inflação cheia, para os custos de bens industriais e alimentos, enquanto os riscos associados ao El Niño acrescentam pressão adicional”, diz outro trecho do documento.
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O banco também passou a ver o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 5,1% em 2026, ante 4,5%, e manteve 4,0% em 2027, mas com uma composição menos benigna.
Antecipação de gastos fiscais
O relatório avaliou ainda que exportações mais elevadas, consumo resiliente e antecipação de gastos fiscais levaram o Santander a revisar o crescimento do PIB de 2026 para 1,8%, ante 1,5%.
O mercado de trabalho deve permanecer apertado por mais tempo, com a taxa de desemprego agora projetada em 5,5% em 2026 e 6,0% em 2027, sustentando a renda real do trabalho e reforçando a inflação de serviços.
“Nesse sentido, o choque do petróleo não é apenas um choque de custos. Para o Brasil, ele também fortalece a demanda agregada por meio da renda externa, das receitas fiscais e da persistência da renda do trabalho”, completa o relatório.






