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Distribuição de combustíveis no Brasil fecha o ano em alta e muda o jogo da participação de mercado

Distribuição de combustíveis no Brasil fecha o ano em alta e muda o jogo da participação de mercado

Relatório do BTG aponta crescimento da demanda, recomposição de participação de mercado e efeitos relevantes de importações e mudanças tributárias

A distribuição de combustíveis no Brasil encerrou o ano com sinais claros de fortalecimento da demanda e reorganização competitiva no mercado de combustíveis. Análise recente do BTG Pactual indica que o crescimento dos volumes, aliado a mudanças regulatórias e maior fiscalização, vem favorecendo empresas estruturadas e com maior capacidade operacional. Nesse contexto, temas como participação de mercado, importação de diesel e ICMS passaram a ter papel central na dinâmica do setor.

O desempenho observado no fim do ano reforça uma leitura mais construtiva para 2026, ainda que desafios permaneçam no horizonte, especialmente ligados à volatilidade de preços e à abertura da janela de importação.

Crescimento de volumes impulsiona o mercado

O mercado brasileiro de combustíveis registrou crescimento expressivo em dezembro, com avanço próximo de 8% na comparação anual, somando cerca de 11,44 milhões de metros cúbicos entre diesel e ciclo Otto. O resultado consolidou um quarto trimestre positivo, marcado por recuperação gradual da demanda e maior previsibilidade operacional.

As distribuidoras líderes apresentaram desempenho acima da média. Vibra e Ipiranga registraram crescimento próximo de 13% nos volumes de dezembro, evidenciando capacidade de capturar demanda em um período de forte competição. No acumulado do quarto trimestre, os volumes estimados reforçam a retomada consistente após meses de ajuste ao longo do ano.

Esse avanço reflete não apenas fatores sazonais, mas também um ambiente mais racional de concorrência, no qual práticas irregulares perderam espaço e o crescimento passou a ser mais alinhado à eficiência logística e comercial.

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Participação de mercado em movimento

A participação de mercado mostrou mudanças relevantes no período. A Ipiranga se destacou ao ampliar sua fatia no mercado total, encerrando dezembro com cerca de 17,9%. O ganho foi observado tanto no diesel quanto no ciclo Otto, com destaque para o desempenho no Sudeste, região estratégica para volumes e rentabilidade.

A Vibra, por sua vez, apresentou comportamento misto. Houve avanço no ciclo Otto, mas perda de espaço no diesel, o que resultou em leve recuo mensal na participação consolidada, que ficou em torno de 22,1%. Ainda assim, o BTG avalia que o ambiente competitivo tem se tornado mais saudável, permitindo que empresas listadas retomem espaço perdido em períodos anteriores.

A intensificação da fiscalização sobre agentes não conformes é apontada como um fator estrutural importante para essa redistribuição de mercado.

Importação de diesel e efeitos do ICMS

A importação de diesel ganhou destaque em dezembro com a abertura da janela de importação, permitindo a entrada de volumes competitivos do exterior. As importações totais alcançaram cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos, com o diesel respondendo pela maior parte desse volume.

Parte desse movimento esteve relacionada à formação de estoques antes do aumento do ICMS em janeiro. Ainda assim, a avaliação é de que o impacto sobre margens foi limitado, já que as importações atenderam principalmente à demanda e ao planejamento logístico das distribuidoras.

No médio prazo, a manutenção de uma janela de importação aberta pode pressionar spreads, mas empresas de maior porte tendem a estar mais bem posicionadas para administrar esse cenário.

Regulação e ambiente mais equilibrado

No campo regulatório, a aprovação da tributação monofásica surge como um divisor de águas para o setor. A medida tende a reduzir distorções históricas, combater a evasão fiscal e criar um ambiente mais equilibrado para a distribuição de combustíveis.

Com preços relativamente estáveis de diesel e gasolina e margens resilientes no fim do ano, o setor inicia 2026 com perspectivas mais previsíveis. O desafio agora será manter disciplina competitiva e adaptação às mudanças tributárias, em um mercado que começa a premiar eficiência e conformidade.

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