Por anos, o setor de concessões rodoviárias brasileiro foi amplamente ignorado por investidores locais e estrangeiros. Questões históricas de governança, críticas regulatórias e alocação de capital considerada complacente mantinham o segmento fora do radar. Contudo, esse quadro mudou de forma “dramática” – e o BTG Pactual documenta essa transformação com base em seu Toll Roads Day, realizado na semana passada no Rio de Janeiro.
“Por anos, vimos pouco interesse de investidores de ações pelo setor de concessões rodoviárias. Entendemos que esse ceticismo mudou de forma dramática nos últimos anos, especialmente após 2025, impulsionado por mudanças relevantes em acionistas controladores, reestruturações de equipes executivas e um arcabouço regulatório muito mais favorável”, afirmam os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia, Samuel Alkmim e Marcel Zambello.
O catalisador que mudou tudo
O evento reuniu executivos seniores da EPR, Arteris, Motiva, Ecorodovias e Vinci para discutir o momento do setor. O catalisador central é claro: o ciclo de queda de juros no Brasil.
“Vemos o setor como uma forma defensiva de capturar o ciclo de queda de juros no Brasil“, destacam os analistas. Entretanto, não é apenas a dinâmica macroeconômica que explica a renovação do entusiasmo.
No plano regulatório, a mudança é estrutural.
“O poder concedente tem se mostrado cada vez mais engajado em diálogo construtivo com operadores para aprimorar contratos em um framework favorável para ambos”, apontam Marquiori, Recchia, Alkmim e Zambello.
Esse ambiente permite que operadores privados restaurem retornos econômicos adequados enquanto as autoridades públicas asseguram maior investimento em infraestrutura.

Aditivos e pipeline de leilões
Um dos aprendizados mais relevantes do evento foi o valor gerado pelos aditivos contratuais.
“Uma das formas mais geradoras de valor para alocar capital marginal é via aditivos contratuais, pois tipicamente se referem a ativos já conhecidos pela concessionária, com maior visibilidade sobre demanda, opex e necessidades de capex”, explicam os analistas.
No entanto, o pipeline de leilões primários pode estar se aproximando de um ponto de inflexão após três anos de intensa atividade.
“Podemos ver aumento de discussões sobre oportunidades de mercado secundário nos próximos anos, à medida que concessionárias rebalanceiem portfólios e investidores busquem eventos de liquidez”, projetam os analistas.
Motiva e Ecorodovias
Para players maiores, o foco tende a migrar para distribuição de capital.
“A principal percepção foi que o cenário competitivo mudou no Brasil, já que alterações regulatórias estão atraindo novos entrantes para o segmento”, concluem os analistas — reiterando recomendação de outperform (compra) para o setor, com Motiva (MOTV3) e Ecorodovias (ECOR3) como principais apostas dentro da cobertura do BTG.
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