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IBC-Br cresce 0,8% em janeiro e indica PIB acima de 1% no trimestre

IBC-Br cresce 0,8% em janeiro e indica PIB acima de 1% no trimestre

Prévia do PIB indica atividade resiliente no início de 2026; indústria, varejo e serviços avançam, enquanto economistas projetam crescimento próximo de 1,8% para o ano

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,8% em janeiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (16). Mesmo com essa alta o indicador veio abaixo das projeções do mercado, que esperavam uma alta de 0,9%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a atividade econômica registrou alta de 1%.

Para a EQI Investimentos, no entanto, o indicador veio em linha com as expectativas da casa, segundo o economista Igor Cadilhac, e foi o único dado de atividade que não surpreendeu positivamente no mês.

Ainda assim, o resultado reforça a perspectiva de um crescimento mais robusto da economia no início do ano. De acordo com Cadilhac, os dados da prévia do PIB sustentam a expectativa de expansão superior a 1% no trimestre.

Em nota, o BC destacou que, no trimestre encerrado em janeiro de 2026, em comparação com o trimestre terminado em outubro de 2025, o IBC-Br registrou alta de 0,8%, indicando continuidade da recuperação da atividade econômica.

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O Banco Safra aponta que o resultado veio ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que projetava avanço de cerca de 0,9% no mês, enquanto a estimativa da própria instituição era de alta de 1%. 

Apesar disso, os economistas do banco avaliam que o indicador permanece compatível com um cenário de expansão moderada da economia no início do ano. 

IBC-Br: Indústria, varejo e serviços avançam

Entre os principais setores da economia, os dados de janeiro mostraram desempenho positivo.

A produção industrial, medida pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM), avançou 1,8%. No detalhamento, tanto a indústria de transformação, com alta de 2,1%, quanto a indústria extrativa, que cresceu 1,2%, contribuíram para o resultado.

O varejo, acompanhado pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), também apresentou surpresa positiva, com crescimento de 0,9% na comparação mensal, com expansão em grande parte dos segmentos analisados.

Já o setor de serviços, monitorado pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), registrou avanço de 0,3% em relação ao mês anterior. Com exceção dos serviços prestados às famílias, os demais segmentos tiveram crescimento, com destaque para informação e comunicação.

De acordo com o Safra, a decomposição do IBC-Br mostra que a alta da atividade foi relativamente disseminada entre os setores, com destaque para os serviços, que avançaram 0,8% no mês e seguem sustentando o desempenho da economia.

Por outro lado, o relatório aponta que a agropecuária recuou 1,5% na margem, revertendo parte do desempenho recente, embora o setor ainda acumule forte crescimento de 12,3% em 12 meses.

Consumo das famílias impulsiona atividade

Para o economista Matheus Pizzani, do PicPay (PICS), o resultado do IBC-Br foi consistente com os dados já observados nas pesquisas setoriais divulgadas ao longo de janeiro.

Segundo ele, o desempenho da atividade no período foi impulsionado principalmente por fatores sazonais ligados ao consumo das famílias no início do ano.

“Esse movimento ocorre porque o consumo costuma se concentrar em serviços nesse período e conta com catalisadores importantes, como o reajuste do salário mínimo e, neste ano, os recursos liberados com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para parte relevante dos trabalhadores”, afirma.

Pizzani acrescenta que a queda mais intensa da atividade agropecuária no início do ano não causa surpresa.

“Mesmo a retração mais forte do setor agropecuário não deve causar estranheza, já que ocorre em um período em que o segmento tradicionalmente apresenta resultados mais fracos. A expectativa é significativamente mais positiva para o restante do ano, com destaque para culturas voltadas ao comércio exterior, como soja e milho”, explica.

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Projeções para o PIB

Cadilhac destaca que o cenário segue sustentado por um mercado de trabalho ainda aquecido e pela perspectiva de uma safra agrícola robusta em 2026.

Diante desse quadro, a EQI Investimentos projeta crescimento de 1,8% para o PIB brasileiro em 2026.

A estimativa é semelhante à do PicPay. Pizzani projeta expansão de 1,7% para a economia brasileira neste ano, além de uma taxa básica de juros terminal de 12%.

Safra também aponta para um cenário de crescimento moderado da atividade ao longo do ano, com projeção de alta de 1,7% para o PIB em 2026. 

Segundo os economistas do banco, a economia deve continuar expandindo, mas com desaceleração gradual, refletindo os efeitos da política monetária ainda restritiva e a perda de fôlego de setores mais sensíveis ao crédito e aos juros.

O economista avalia que o desempenho da atividade econômica também deve entrar no radar do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC nas próximas decisões de política monetária.

“Nossa expectativa é que esse cenário seja, em maior ou menor medida, compartilhado pelo Copom em sua próxima reunião. Embora a atividade não deva ser o principal elemento da comunicação do comitê, ela seguirá como um pilar relevante da decisão, incluindo a possibilidade de um corte inicial de 0,50 ponto percentual na taxa de juros”, afirma.