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CPI dos EUA reduz espaço para corte de juros, indica mercado

CPI dos EUA reduz espaço para corte de juros, indica mercado

Analistas apontam pressão além da energia e veem menor espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve após dado de abril nos EUA

O CPI dos EUA avançou 0,6% em abril, após alta de 0,9% em março, informou nesta terça-feira (12) o Bureau of Labor Statistics. Em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor acumulou alta de 3,8%, acima dos 3,3% registrados até março.

O ponto em comum entre as análises de Avenue e Nomad é que a inflação americana não ficou restrita à energia. Embora esse grupo tenha sido o principal vetor do índice cheio, as fontes destacam a pressão em outras categorias, como moradia, alimentos, vestuário e serviços, o que reduz o espaço para uma postura mais branda do Federal Reserve (Fed).

Pressão disseminada

A energia subiu 3,8% em abril e respondeu por mais de 40% da alta mensal do CPI, segundo o BLS. A gasolina avançou 5,4% no mês e 28,4% em 12 meses. Alimentos tiveram alta de 0,5%, enquanto moradia subiu 0,6%.

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O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou 0,4% no mês e 2,8% em 12 meses. Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, esse foi um dos principais sinais de preocupação do relatório, já que mostrou uma inflação mais ampla do que a causada apenas por combustíveis.

“Quando a gente olha o núcleo, que exclui alimentos e energia, super importante para ver se essa inflação é derivada só de preço de petróleo e alguns impactos em alimentos, ou se de fato ela é mais espalhada, a gente viu uma inflação que também surpreendeu na ponta de cima: esperavam 0,3%, veio 0,4%”, afirmou Alves.

Segundo o estrategista, o dado de abril também reacendeu o alerta em moradia. Esse grupo havia desacelerado nos meses anteriores, mas voltou a subir 0,6% na comparação mensal. Vestuário, sensível a tarifas, também avançou 0,6%, enquanto as passagens aéreas subiram 2,8%.

“Agora, o que chama a atenção é que a abertura do dado mostra uma inflação que não se restringe somente a preço de energia e mesmo em moradia voltou a preocupar. O custo de moradia acelerou para 0,6% na alta mensal depois de ter desacelerado nos meses anteriores”, afirmou Alves.

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Juros nos EUA

Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, também destacou que os números apontam uma dispersão das pressões inflacionárias por diferentes categorias. Na avaliação dele, a energia continua sendo o principal componente da alta, mas os efeitos indiretos do choque podem atingir outros setores da economia.

“De maneira geral, os números indicam que as pressões inflacionárias estão se dispersando por diversas categorias, indo além do choque energético, o que é natural considerando que energia pode gerar um impacto indireto em outros setores/componentes”, afirmou Lobo.

Para a Nomad, a aceleração da inflação anual e a persistência do núcleo acima de 2,5% reforçam a possibilidade de adiamento do início dos cortes de juros nos Estados Unidos. Lobo avalia que o processo de desinflação iniciado em 2022 segue enfrentando obstáculos externos, o que deve manter o Fed em postura cautelosa.

A Avenue vai na mesma direção. Alves afirmou que a combinação entre inflação persistente e dados recentes de emprego ainda resilientes mantém a percepção de que o banco central americano não deve cortar juros em 2026.

“Uma inflação persistente acima da meta e dados recentes do mercado de trabalho, o Payroll na semana passada, o ADP, mostrando resiliência da economia. Eu diria que o mercado mantém a visão de que o Banco Central Americano não deve cortar juros em 2026 e aumenta ainda o risco de que o mercado comece a precificar alta nas taxas em 2027”, afirmou Alves.