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EXCLUSIVO! Para o brasileiro que já investe em imóveis, comprar nos EUA é o próximo passo, diz Gisele Kolbrich

EXCLUSIVO! Para o brasileiro que já investe em imóveis, comprar nos EUA é o próximo passo, diz Gisele Kolbrich

Em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir, autora de “O Caminho de Casa” aponta como o brasileiro pode construir patrimônio imobiliário em dólar

Os compradores estrangeiros movimentaram US$ 56 bilhões em imóveis residenciais nos Estados Unidos entre abril de 2024 e março de 2025, alta de 33,2% sobre o período anterior, segundo a NAR (National Association of Realtors). A Flórida concentrou 21% das operações, e o brasileiro está entre os principais protagonistas desse fluxo.

Em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir, Gisele Kolbrich, corretora real estate licenciada na Flórida e fundadora da Top Florida Homes, defende que o mercado americano se tornou a expansão lógica para quem já acumula imóveis no Brasil. Essa é a tese do livro “O Caminho de Casa – Your Way Home”, recém-lançado pela editora Labrador.

Gisele constrói o raciocínio a partir de dois perfis distintos de brasileiros que procuram a corretora. Os que já moram nos Estados Unidos, em geral atrás da primeira casa para morar. E os que ainda estão no Brasil, hoje em sua maioria movidos por proteção patrimonial em meio à Selic elevada, inflação acima da média histórica e nova legislação tributária que pode bitributar investimentos internacionais.

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Conheça a trajetória da Gisele Kolbrich

Gisele tirou a licença de corretora após perceber a distância entre o mercado brasileiro e o americano. Formada em Administração de Empresas, fez intercâmbio na Universidade de Georgetown e, aos 22 anos, abriu o primeiro empreendimento no Brasil, hoje ativo e com mais de 40 funcionários.

Voltou aos imóveis ao se casar com Philip Kolbrich, broker responsável pela Top Florida Homes. Comanda uma operação de cinco corretores, acumula mais de 20 certificações na área e mantém portfólio próprio com mais de 16 propriedades de investimento e outras oito em construção.

“Os que vêm do Brasil, hoje, em sua grande maioria, procuram proteção patrimonial. A dolarização do patrimônio deixou de ser apenas um luxo e passou a ser estratégia de proteção. São investidores que entenderam que não dá para ter todos os ovos numa mesma cesta”, afirma Gisele.

A operação se desdobrou em incorporadora, com fundo regulamentado pela SEC (Securities and Exchange Commission). A estrutura combina 80% de financiamento bancário e 20% de captação via cotas, que vão de US$ 50 mil a US$ 1 milhão. Durante o ciclo de construção, de cerca de três anos, o investidor recebe 6% ao ano.

Ao final, participa da divisão de lucros, com rentabilidade total projetada entre 20% e 32%. O produto funciona como porta de entrada para o brasileiro que ainda hesita em comprar uma propriedade direta nos Estados Unidos.

A primeira casa nos EUA

Uma cliente da Top Florida Homes exemplifica o efeito multiplicador defendido por Gisele. A compradora adquiriu uma casa há três anos para morar com os filhos enquanto o marido permanecia no Brasil.

Com a valorização do imóvel, abriu uma linha de crédito sobre o próprio ativo, conhecida nos Estados Unidos como HELOC (Home Equity Line of Credit), instrumento que funciona como um cartão de crédito lastreado no valor da casa. O crédito liberado foi suficiente para comprar duas townhouses adicionais, hoje em regime de locação.

“Comprei minha casa porque era mais barato do que pagar aluguel e nunca imaginei que, em sete ou oito anos, teria a minha casa e mais duas casas de investimento”, relatou a cliente em depoimento citado por Gisele.

Em “O Caminho de Casa – Your Way Home”, a corretora reúne diferenças estruturais entre os dois mercados e defende que a aquisição da primeira moradia, quando bem assessorada, abre caminho para a construção de um portfólio em dólar.

Um estudo da Construction Coverage com dados Zillow mostra que o preço mediano dos imóveis residenciais na Flórida subiu 132,2% no período 2014-2024, segunda maior valorização entre os estados americanos no recorte.

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Por que a Flórida é o estado favorito para quem quer imóveis nos EUA

A Flórida atingiu 23,4 milhões de habitantes em 2025, segundo o Census Bureau, e ganhou 467 mil pessoas no último ano. Em ganho absoluto, o estado cresceu três a quatro vezes mais rápido que Nova York no mesmo período.

Cobra ainda zero de imposto de renda estadual, atributo que pesa em comparação com a Califórnia, onde a alíquota combinada chega a 13,3% e tramita iniciativa de cédula para a votação de novembro de 2026, com imposto único de 5% sobre o patrimônio dos cerca de 200 bilionários residentes no estado.

Antes mesmo da votação, três bilionários ligados ao Vale do Silício deixaram a Califórnia. Larry Page e Sergey Brin, cofundadores do Google (GOOG; GOGL34), e Travis Kalanick, ex-CEO da Uber (UBER; $U1BE34), redesenharam residência fiscal antes da data-base prevista na proposta. Enquanto o Jeff Bezos, CEO da Amazon (AMZN; AMZO34) comprou em Miami.

“Economia forte não significa ausência de crise, e sim capacidade de recuperação. E a Flórida, com toda essa potência de investimento internacional e migração nacional, acaba se recuperando ainda mais rápido”, afirma Gisele.

“O Caminho de Casa – Your Way Home” funciona como manual de entrada para o leitor que quer entender, antes de comprar, como funciona o sistema americano.

Da transparência do banco de dados de transações ao financiamento assumível, da conta de escrow ao papel do lender, a obra mapeia diferenças que costumam pegar o brasileiro de surpresa. Para Gisele, comprar nos Estados Unidos é só o começo.