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Copom quer “restrição monetária maior e por mais tempo”, diz ata

Copom quer “restrição monetária maior e por mais tempo”, diz ata

Comitê descartou trajetórias alternativas para a Selic que exigissem variações abruptas de direção e de grande magnitude

A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que cortou a taxa Selic de 14,50% para 14,25%, revela que a decisão foi tomada em um cenário de piora inflacionária em relação à reunião anterior.

O IPCA já supera o limite superior da meta, e as expectativas para 2026 e 2027, segundo a pesquisa Focus, estão em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

O documento aponta que “o cenário havia se deteriorado desde a última decisão, tanto em termos das leituras mais recentes da inflação cheia e suas medidas subjacentes, quanto das expectativas para os anos de 2026, 2027 e 2028”.

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Contudo, o Copom avaliou que trajetórias alternativas para a Selic que exigissem variações abruptas de direção e grande magnitude seriam contraproducentes à convergência da inflação à meta.

Ambiente externo e Oriente Médio elevam incerteza

O ambiente externo seguiu como fator de preocupação central. A indefinição sobre os termos do acordo de cessar-fogo no Oriente Médio e os efeitos dos conflitos sobre as condições financeiras globais exigem cautela adicional de países emergentes.

As últimas leituras de inflação ao consumidor e ao produtor mostraram, segundo a ata, “sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados”.

Entretanto, o Copom debateu que as boas práticas de política monetária recomendam não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta.

O comitê destacou que as incertezas envolvem tanto os efeitos de choques já materializados — como as consequências do conflito armado no Oriente Médio — quanto de outros ainda não materializados, como os impactos do El Niño.

Expectativas desancoradas exigem restrição maior

A principal conclusão compartilhada por todos os membros foi a de que, “em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado“. O comitê registrou desancoragem adicional das expectativas para horizontes mais longos, em particular para 2028.

A ata também reforça a necessidade de harmonia entre as políticas fiscal e monetária. O Copom reitera que “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia”, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária.

Projeções e próximos passos

No cenário de referência, a projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 é de 5,2%, enquanto para o quarto trimestre de 2027 — atual horizonte relevante — a estimativa é de 3,7%, acima dos 3,5% projetados na reunião anterior. O câmbio de referência utilizado foi de R$ 5,10 por dólar, com hipótese de bandeira tarifária amarela para energia elétrica em dezembro de 2026.

O comitê reafirmou que “a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”.

A decisão pelo corte de 25 pontos-base foi unânime, com votos de Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira. A convergência da inflação à meta está projetada para o primeiro trimestre de 2028.

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