O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (17), reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, em linha com a expectativa predominante do mercado. A decisão marca a continuidade do processo de flexibilização monetária, ainda que sob forte cautela diante do cenário inflacionário desafiador.
No comunicado, a autoridade monetária destacou que o ambiente segue marcado por elevada incerteza, com influência tanto de fatores externos — como tensões no Oriente Médio — quanto domésticos, especialmente a persistência de pressões inflacionárias e expectativas acima da meta.
A leitura do Banco Central aponta que, apesar da política monetária restritiva já ter produzido efeitos sobre a atividade, a inflação segue distante do objetivo. As projeções para 2026 e 2027 permanecem acima da meta, enquanto a inflação projetada para o horizonte relevante também indica desvio relevante.
No cenário doméstico, o Copom ressaltou uma aceleração da atividade no primeiro trimestre, com maior participação de setores cíclicos e manutenção da resiliência do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a inflação cheia e os núcleos voltaram a ganhar força, reforçando o diagnóstico de um ambiente mais pressionado.
O comitê avaliou que o atual nível de juros ainda é compatível com a convergência da inflação, mas destacou que diferentes trajetórias são possíveis diante das incertezas elevadas. A decisão também incorpora a avaliação de que o horizonte relevante da política monetária começará a migrar para 2028 nas próximas reuniões.
Comparação com o comunicado de abril mostra mudança de tom
Em relação ao comunicado anterior, de 29 de abril, o novo texto traz alterações relevantes tanto na avaliação do cenário quanto na comunicação do Copom.
No ambiente externo, houve ajuste na redação: saiu a ênfase na “duração, extensão e desdobramentos” dos conflitos e entrou uma abordagem mais concreta, citando os “efeitos já materializados” e seus impactos nas condições financeiras globais.
No cenário doméstico, a mudança foi mais significativa. O comunicado anterior indicava uma “trajetória de moderação do crescimento”, enquanto o novo texto aponta “aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre”, sugerindo uma economia mais aquecida no curto prazo.
Também houve piora nas projeções e expectativas de inflação. As estimativas da pesquisa Focus subiram de 4,9% para 5,30% em 2026 e de 4,0% para 4,10% em 2027, enquanto a projeção do próprio Copom para o horizonte relevante avançou de 3,5% para 3,7%.
Na parte de riscos, o novo comunicado ampliou os fatores de alta, incluindo explicitamente efeitos climáticos, impactos mais amplos do petróleo e riscos ligados à política econômica, além de adicionar a possibilidade de estímulos à demanda elevando a atividade acima do potencial.
Outra mudança relevante foi a retirada de trechos que detalhavam os impactos prospectivos da guerra no Oriente Médio sobre cadeias produtivas, substituídos por uma abordagem mais direta sobre incertezas e efeitos já observados.
No forward guidance, o Copom também alterou a comunicação. Saiu a sinalização mais detalhada sobre “ajustes no ritmo e extensão da calibração” e entrou uma mensagem mais aberta, destacando que a magnitude total do ciclo dependerá da evolução dos dados.
Além disso, o novo comunicado introduz explicitamente a discussão sobre trajetórias alternativas de juros e menciona a possibilidade de convergência da inflação apenas no início de 2028, ampliando o horizonte considerado pela política monetária.
Por fim, foi incluída uma avaliação de que o grau de restrição atual permite diferentes caminhos para a taxa de juros, reforçando a ideia de maior flexibilidade na condução da política monetária diante de um ambiente mais incerto.






