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Ata do Copom reforça preocupação com desancoragem de expectativas após corte da Selic

Ata do Copom reforça preocupação com desancoragem de expectativas após corte da Selic

Documento da 278ª reunião do Comitê detalha o incômodo com o horizonte de inflação e a cautela diante dos conflitos no Oriente Médio

A ata do Copom, divulgada nesta terça-feira (5) pelo Banco Central, detalhou os argumentos que levaram o colegiado a reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na semana passada, para 14,5% ao ano.

O documento mostra uma autoridade monetária incomodada com a desancoragem das expectativas de inflação, sobretudo para horizontes mais longos, mas que considerou apropriado dar sequência ao ciclo de afrouxamento diante do grau elevado de restrição da política monetária.

A decisão foi unânime entre os seis membros do colegiado presidido por Gabriel Galípolo. No texto, o Copom afirma que os efeitos da política monetária restritiva por período prolongado já se faziam presentes na desaceleração dos componentes cíclicos do PIB no fim de 2025 e seguem visíveis no início de 2026, em especial pela desaceleração do saldo de crédito livre.

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Expectativas desancoradas

O Boletim Focus desta semana revelou que as projeções de inflação de 4,9% para 2026 e 4% para 2027, ambas acima da meta. O Comitê reconhece que as expectativas voltaram a subir após o início dos conflitos no Oriente Médio e destaca que ficou evidente uma desancoragem adicional para horizontes mais longos, em particular para 2028.

Segundo o documento, o custo de desinflação sobre o nível de atividade é maior em ambientes com expectativas desancoradas, o que exige restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.

“Mesmo com toda essa insatisfação com as expectativas e o choque internacional, o BC julgou prudente cortar 25 bps sob a justificativa de que há um grau elevado de restrição de juros”, afirmou Étore Sanchez, economista da Ativa Investimentos. Para ele, o parágrafo 15 da ata é o mais relevante para a leitura sobre os próximos passos da autoridade monetária.

No parágrafo destacado, o Copom afirma que os eventos recentes não impediriam o prosseguimento do ciclo de calibração e conclui que a redução de 0,25 ponto percentual é a mais adequada para esta reunião. O texto também reforça que a magnitude e a duração do ciclo serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às análises do Comitê.

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Cenário externo

No cenário de referência, as projeções do Banco Central apontam IPCA acumulado em quatro trimestres de 4,6% para 2026 e de 3,5% para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária.

A trajetória parte de uma taxa de câmbio de R$ 5 por dólar e considera bandeira tarifária amarela em dezembro de 2026. Os conflitos no Oriente Médio elevam a volatilidade de preços de ativos e commodities, exigindo cautela por parte de países emergentes.

“Vemos uma assimetria em prol de aceleração de cortes por parte do BC. A autoridade achou prudente cortar 25 bps com a conjuntura atual e, se tiver alguma atenuação, há a possibilidade de aceleração do ritmo de afrouxamento, ainda que não seja o cenário base”, avaliou Sanchez. O economista destaca que o tom prospectivo da ata reafirma a postura cautelosa diante das incertezas externas.

A ata reforça o compromisso do Copom com o combate aos efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo e seus derivados. O Comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual diante da indefinição sobre os conflitos. Entre os riscos de alta, destacam-se a desancoragem das expectativas, a resiliência da inflação de serviços e o impacto cambial sobre os preços.

“Sustentamos a perspectiva de que em breve haverá uma reversão, ainda que parcial, dos efeitos do conflito, diante do calendário eleitoral norte-americano, que exigiria uma melhor aprovação de Trump e do governo republicano”, afirmou Sanchez. A Ativa projeta um corte de 50 pontos-base na reunião de junho do Copom, com potencial aceleração nos encontros seguintes.