As construtoras de São Paulo tiveram um desempenho operacional melhor do que o esperado em julho, mas os juros elevados ainda impõem cautela para o setor. Essa é a avaliação do Safra após os dados divulgados pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), que mostraram forte crescimento das vendas, principalmente no segmento de baixa renda.
As vendas líquidas de imóveis na cidade chegaram a 10,3 mil unidades em julho, alta de 67% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 11% na comparação com junho. Para o banco, o resultado foi positivo mesmo diante do endurecimento da política de financiamento imobiliário da Caixa no mês.
Apesar da melhora, o Safra afirma que mantém uma visão mais conservadora para o segmento de média e alta renda. Na avaliação do banco, os estoques ainda elevados, em um cenário de juros altos por mais tempo, devem continuar pressionando o ritmo de vendas.
O segmento de média e alta renda teve 1,4 mil lançamentos em julho, queda de 23% na comparação anual e de 42% frente a junho. As vendas, por outro lado, cresceram 21% em um ano, para 2,4 mil unidades.
Com isso, a cobertura de estoques recuou de 12,9 meses em junho para 12,5 meses em julho. O Safra destacou que essa foi a primeira melhora do indicador no acumulado do ano, mas considerou que ainda há motivos para manter uma postura cautelosa diante do ambiente de juros.
Baixa renda surpreende
A leitura do Safra é mais favorável para o mercado de baixa renda. O segmento registrou 7,9 mil vendas líquidas em julho, avanço de 90% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 13% ante junho.
Os lançamentos também aceleraram: foram 7 mil unidades, alta de 78% na comparação anual. Com isso, os imóveis de baixa renda responderam por 83% dos lançamentos realizados na cidade em julho.
A velocidade de vendas mensal chegou a 13%, enquanto a cobertura de estoques caiu para 7,7 meses, ante 8,1 meses em junho.
O desempenho chama atenção porque ocorreu justamente em um momento de maior restrição no financiamento imobiliário. Para o Safra, a força das vendas mostra que a demanda por imóveis de menor valor continua sustentando boa parte da atividade das incorporadoras paulistanas.
Estoques ainda são ponto de atenção
No mercado como um todo, os lançamentos somaram 8,4 mil unidades em julho, alta de 46% em relação ao ano anterior. As vendas cresceram em ritmo ainda maior, levando a cobertura de estoques para 9,2 meses, contra 9,6 meses em junho.
Ainda assim, o indicador permanece acima dos 6,8 meses registrados em julho de 2025. É justamente essa combinação de estoques e custo de financiamento que sustenta a cautela do Safra para parte do setor.
No acumulado de 12 meses, São Paulo teve 146,3 mil unidades lançadas, alta de 18%, e 118,1 mil unidades vendidas, avanço de 6%. O valor geral de vendas (PSV) vendido no período chegou a R$ 60,9 bilhões, queda de 2% em relação ao ano anterior.
Cyrela é a preferência
Mesmo diante das ressalvas, o Safra mantém a Cyrela (CYRE3) como sua preferência entre as construtoras. O banco destaca a atuação da companhia nas duas extremidades do mercado, com lançamentos tanto no segmento de baixa renda, por meio do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), quanto no mercado de luxo.
Segundo o Safra, essa estratégia tende a tornar a empresa relativamente menos sensível à dinâmica dos juros.
O banco também aponta que, apesar da recente valorização das ações, a Cyrela é negociada a aproximadamente 4,6 vezes o lucro projetado para 2027, múltiplo que cai para 4,2 vezes quando ajustado pelo valor presente líquido da Corporate Tower.
Assim, embora os números de julho indiquem vendas mais fortes do que o esperado para as construtoras, a avaliação do Safra é de que o cenário de juros elevados ainda exige cautela, sobretudo no mercado de média e alta renda, onde os estoques permanecem mais pressionados.
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