Home
Notícias
Economia
BTG projeta Selic a 13,75% nesta quarta e pausa no ciclo de cortes

BTG projeta Selic a 13,75% nesta quarta e pausa no ciclo de cortes

Banco vê corte de 0,25 ponto em setembro e pausa em novembro

O BTG Pactual espera que o Copom corte a Selic em 0,25 ponto percentual nesta semana, para 13,75%, e interrompa o ciclo em seguida. A taxa ficaria nesse patamar até dezembro, com nova rodada de queda apenas em 2027, quando o banco projeta 12,50%.

Os dados divulgados desde a reunião de agosto reforçaram o argumento de quem defende a continuidade do ciclo. PIB, indicadores mensais do IBGE, crédito, confiança e Caged passaram a mostrar uma moderação mais espalhada pela economia.

O PIB do segundo trimestre cresceu 0,5% na comparação trimestral, contra 1,1% nos três meses anteriores, com composição pior. O consumo das famílias recuou. Para o terceiro trimestre, a projeção é de apenas 0,2%, e os dados mensais jogam contra até esse número.

A confiança caiu em agosto na indústria, no comércio, na construção e entre consumidores. Só serviços avançaram. Somado à desaceleração das concessões de crédito e à inadimplência em alta, o quadro levou o BTG a revisar o PIB de 2026 para 1,8%.

Falta um pedaço da história para fechar o raciocínio: o mercado de trabalho não cedeu. Os rendimentos voltaram a acelerar em julho, o desemprego segue em mínimas históricas e a inflação de serviços subjacentes subiu de 4,7% para 4,9%.

Publicidade
Publicidade

Por que o BTG defende uma pausa em novembro

O IPCA de agosto caiu 0,32% e a média dos cinco núcleos recuou de 4,5% para 3,9% na média móvel trimestral anualizada. Ainda assim, o fim da deflação de alimentos e etanol deve tornar as leituras menos generosas a partir de setembro.

“O balanço de riscos para a inflação continua adverso”, afirmou Tiago Berriel, Head de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual, que projeta IPCA de 5,2% neste ano e 4,4% em 2027.

O ponto central do argumento é outro: o ciclo de calibração avançou justamente enquanto as expectativas de inflação para 2027 se afastavam da meta. Parar agora teria valor informacional e de credibilidade.

“Uma interrupção ajudaria a estabilizá-las e permitiria incorporar as definições pós-eleitorais sobre a política econômica”, apontou Berriel.

O câmbio a R$ 5,15, contra R$ 5,10 na rodada anterior, a piora das expectativas e a revisão altista do hiato do produto elevariam a projeção de inflação do modelo do Banco Central de 3,2% para 3,3%. Parte disso é compensada por uma inflação corrente menos pressionada.

Há um risco relevante na outra direção. O endividamento e o comprometimento de renda das famílias podem produzir uma desalavancagem forte em 2027, cenário que derrubaria a atividade e abriria espaço para mais cortes.

“Em ambiente de baixa credibilidade fiscal, uma desaceleração abrupta da atividade pode elevar o prêmio de risco, depreciar o câmbio e limitar novos cortes”, alertou o economista.