O BTG Pactual (BPAC11) analisou, em relatório publicado nesta quinta-feira (12), o atual momento das commodities. Segundo a instituição financeira, os insumos podem ser impactados com o fortalecimento do dólar, que é o tema das comunicações entre membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) e do comitê de política monetária do Federal Reserve (FED).
As commodities costumam ser precificadas em dólar e em seus respectivos mercados de referência, portanto estão sujeitas a vetores de depreciação das cotações, como aconteceu nas últimas semanas.
BTG (BPAC11): Petróleo
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) manteve o guidance de normalização gradual na produção, com média de 432 mil barris por dia. Este cenário está relacionado às incertezas do conflito entre Rússia e Ucrânia e aos Estados Unidos, que pretende liberar reservas estratégicas para aumentar a sua oferta no mercado.
“Os estoques de petróleo nos EUA apresentaram crescimento na margem, mas seguem em patamar estruturalmente baixo. Estoques de gasolina seguem em tendência de queda, em linha com a retomada da atividade após o fim das restrições de mobilidade social. Número de sondas em operação segue em crescimento, mas ainda distante do patamar pré-pandemia.” informou trecho do relatório.
No continente europeu, a intensificação da guerra acelerou discussões entre os países da União Europeia, que pretendem impor sanções mais rígidas a Rússia. Este fator influenciou no aumento dos preços. Segundo o banco de investimentos, é estimado um aperto adicional da oferta na ordem de 3mb/d, com aumento na cotação para o Brent de até US$ 15/barril.
Na China, as restrições de mobilidades social colaboraram para um cenário baixista relacionado às cotações de commodities energéticas, o que inclui o petróleo.
O fortalecimento da moeda norte-americana com os apertos das condições financeiras nos Estados Unidos também impactaram as cotações.
“O contrato futuro de Petróleo Brent apresentou alta de ~2% no mês de abril, com volatilidade elevada. A tendência de longo prazo segue de alta, mas passa por lateralidade no curto prazo e sinaliza algum enfraquecimento. O Índice de Força Relativa em 39 tem região de “sobrevenda”, demonstrando diminuição da capacidade de aceleração da tendência. A média móvel de 21 períodos está flat, com perda de inclinação. O movimento com fundo em 02/12 e topo em 07/03 ainda é usado para determinar os suportes de Fibonacci em 87,52 e 78,45, caso o preço perca os 97,50 (aceleração de quedas).” explicou o BTG.
Minério de ferro
O minério de ferro registrou queda em importações e na relação entre estoque/importações de metal. O índice de armazenamento está no menor patamar desde outubro do ano passado, quando houve um movimento de recomposição. Segundo o banco de investimentos, a China apresentou baixa demanda na busca pelo metal.
“A curva de contaminações de Covid-19 fez pico na China, mas os lockdowns seguem em vigência, mantendo o quadro de correção das cotações de minério de ferro. O ritmo da atividade econômica da China segue abaixo do usual devido a interrupção da circulação de pessoas em localidades importantes para conter a Covid-19. As medidas diárias de congestionamento urbano, uma proxy para a mobilidade, mostram que o pior período em março-abril ocorreu na semana até 24 de março, quando contraíram 7% a/a (coincidindo com Shenzhen, Jilin e restrições iniciais em Xangai), seguido pela semana até10 de abril (o pior do bloqueio de Xangai e do susto de Guangzhou) – contração de 6,7% a/a.” analisou.
O relatório citou os novos estímulos adotados pelo governo chinês, que podem modificar os baixos números relacionados ao minério de ferro. Houve queda na importação de 7,1% durante o primeiro trimestre deste ano, o que pode influenciar em um valor abaixo de US$ 100 a tonelada.
Soja
O Brasil reportou bons números na safra de soja e este cenário deixou o avanço do plantio nos Estados Unidos atrasado. O país norte-americano é o principal vetor para direcionar as negociações, que foram impactadas pela força do dólar e pela economia chinesa.
“A Conab apresentou revisão altista na margem para a produção brasileira na safra 2021/22, em1,4 milhão de toneladas, deixando os números mais alinhados à visão do USDA. Os númerosdo departamento estadunidense deste mês trouxeram a primeira visão sobre a safra global de 2022/23, com destaque para o crescimento da produção dos EUA, 5 milhões de toneladas acima do ciclo anterior, e para o número elevado para a produção brasileira, em 149 milhões de toneladas.” informou o BTG.
O banco também destacou o clima adverso nos Estados Unidos e desta forma serão analisados números relacionados ao novo ciclo. Estima-se a produção de 1185 milhões de toneladas, o que está 1,2% abaixo do último período avaliado.
Outras commodities
Milho
Os obstáculos relacionados à safra de soja contribuíram para a estagnação na colheita do milho. O clima adverso norte americano e as notícias relacionadas ao conflito na Europa foram outros entraves para o insumo.
No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) apresentou revisão positiva de 760 mil toneladas para a safrinha, enquanto nos Estados Unidos, são previstos 8,1 milhões de toneladas, o que está abaixo das estimativas do BTG.
Boi gordo
O comércio de carne bovina segue bastante forte na China, o que explica os fortes números que estão relacionados às exportações no primeiro trimestre de 2022. É previsto a aquisição de 200 a 250 mil toneladas para recompor o estoque chinês, que sofreu com a interrupção nas importações por mais de 100 dias em 2021.
“O contexto doméstico recente também é mais favorável para preços, considerando que recursos, como US$50 bilhões do FGTS, por exemplo, serão injetados na economia e a massa salarial real apresenta recuperação na margem” realçou o BTG.
Etanol
O relatório também destacou força do etanol, que voltou a ser negociado acima de 70% no comparativo com o valor da gasolina. Os preços podem ser pressionados para baixo durante o fim do período de entressafra no Centro-sul, entretanto, os reajustes na gasolina podem contrabalancear o vetor e contribuir para o aumento do etanol.






