O Brasil registrou déficit de US$ 2,330 bilhões nas transações correntes em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Banco Central (BC). O resultado representa uma melhora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo havia alcançado US$ 5,177 bilhões.
As transações correntes refletem o resultado das operações do país com o exterior, incluindo comércio de bens e serviços, pagamento de rendas e transferências unilaterais.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o déficit chegou a US$ 27,477 bilhões. Já no período de 12 meses encerrado em junho, o saldo negativo somou US$ 61,350 bilhões, equivalente a 2,46% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo Banco Central.
A autoridade monetária projeta que o déficit em transações correntes alcance US$ 56 bilhões em 2026, conforme estimativa apresentada no Relatório de Política Monetária (RPM).
Investimento direto registra forte avanço
O Investimento Direto no País (IDP) teve desempenho positivo em junho e ajudou a compensar parte do resultado negativo das contas externas. O ingresso líquido chegou a US$ 9,075 bilhões, acima dos US$ 3,068 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
O indicador inclui recursos destinados à participação no capital de empresas brasileiras, além de empréstimos entre matrizes e filiais de companhias multinacionais. Também fazem parte da estatística os investimentos realizados por empresas brasileiras no exterior.
Nos 12 meses encerrados em junho, o IDP acumulou US$ 89,319 bilhões, equivalente a 3,58% do PIB. No mesmo período de 2025, o percentual era de 3,16%.
Para 2026, o Banco Central estima entrada de US$ 75 bilhões em investimento direto estrangeiro.
Investimentos em carteira têm saída de recursos
Os investimentos estrangeiros em carteira registraram saída líquida de US$ 1,055 bilhão em junho. No mesmo período do ano passado, o fluxo havia sido positivo, com entrada de US$ 2,321 bilhões.
No mercado de renda fixa, houve ingresso líquido de US$ 1,169 bilhão. As operações realizadas no mercado doméstico tiveram resultado positivo de US$ 1,598 bilhão, enquanto as negociações no exterior registraram saída de US$ 429 milhões.
Já os investimentos estrangeiros em ações tiveram retirada líquida de US$ 2,794 bilhões, considerando aplicações realizadas tanto na bolsa brasileira quanto na Bolsa de Nova York.
O Banco Central projeta entrada líquida de US$ 15 bilhões em investimentos de carteira ao longo de 2026.
Remessa de lucros ao exterior aumenta
As remessas de lucros e dividendos para o exterior somaram US$ 4,235 bilhões em junho, acima do resultado registrado no mesmo mês de 2025, quando as empresas enviaram US$ 4,06 bilhões.
Segundo o Banco Central, a expectativa é que essas remessas líquidas alcancem US$ 52 bilhões em 2026.
Gastos de brasileiros no exterior mantêm pressão
A conta de viagens internacionais continuou contribuindo para o resultado negativo das transações correntes. Em junho, brasileiros gastaram US$ 2,217 bilhões em viagens ao exterior, contra US$ 1,854 bilhão no mesmo mês do ano passado.
Os turistas estrangeiros deixaram US$ 809 milhões no Brasil em junho, acima dos US$ 691 milhões registrados em igual período de 2025.
Com isso, a conta de viagens apresentou déficit de US$ 1,408 bilhão no mês, superior ao saldo negativo de US$ 1,164 bilhão registrado um ano antes.
Para 2026, o Banco Central calcula que o déficit nessa conta alcance US$ 15 bilhões.






