Embora os investimentos estrangeiros tenham se tornado mais seletivos no país, o Brasil ainda é um destino considerado atraente para os investidores do exterior. É o que mostra um estudo da Mapfre Investimentos, gestora de recursos do Grupo Mapfre.
De acordo com a sondagem, o país recebeu US$ 77 bi no ano passado, 22% acima do ano anterior. A participação brasileira nos fluxos globais de Investimento Estrangeiro Direto (IED) global saltou de 4,2% para 4,8%. O Brasil passou da sexta para a quinta posição no ranking das economias com mais ingressos de IED, atrás apenas dos Estados Unidos, Singapura, Hong Kong e China.
Para a gestora, a economia brasileira vem se beneficiando de ingressos de IED em atividades industriais tradicionais, como química, celulose e metalurgia.
Setores intensivos são prioridade
Para a Mapfre, o que os dados, compilados pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), também revelam é que os fluxos globais de investimentos estrangeiros vêm priorizando setores intensivos em capital e tecnologia, notadamente infraestrutura digital, semicondutores e atividades específicas do setor de energia.
Os investimentos anunciados em projetos greenfield concentram-se em data centers, semicondutores e atividades de petróleo e gás. O setor de telecomunicações também figura entre aqueles com crescimento acelerado. Investimentos diretos em projetos de energia renovável, infraestrutura e indústrias de manufatura inseridas em cadeias globais de valor apresentam retração.
Para a Mapfre, daqui para frente, há poucas dúvidas sobre os riscos de baixa para a perspectiva dos fluxos globais de investimentos estrangeiros. Diante de conflitos geopolíticos, maiores barreiras comerciais e fragmentação econômica, os investimentos diretos deverão se manter contidos.
A economia brasileira não estará imune a esse contexto. Vale também ressaltar que a capacidade de processamento e armazenamento, a conectividade e sistemas compartilhados serão cada vez mais determinantes para a competitividade econômica, inclusive em atividades industriais tradicionais.
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