O IPCA-15 de julho veio abaixo do esperado. O indicador, divulgado nesta terça-feira (28) pelo IBGE, registrou alta de apenas 0,06% no mês — bem abaixo da projeção de 0,24% da BGC Liquidez e 18 pontos-base aquém da estimativa da casa.
Para a equipe de inflação e commodities da BGC Liquidez, o resultado confirma um bom momento para a inflação brasileira, com destaque positivo nos serviços subjacentes e sem efeitos de segunda ordem relevantes do cenário de guerra sobre os preços.
“O IPCA-15 confirma o bom momento a despeito de passar por um período de guerra, sem nenhum efeito de segunda ordem relevante. Também vale a atenção para veículos, com nova deflação ajudando a queda de industriais”, afirma a equipe de análise da BGC Liquidez.
O resultado de julho representa uma desaceleração expressiva em relação a junho, quando o IPCA-15 havia marcado 0,41%. No acumulado do ano, o índice soma 3,51%, enquanto em 12 meses a alta é de 4,52% — abaixo dos 4,80% registrados nos 12 meses anteriores. Em julho de 2025, o indicador havia sido de 0,33%.
Habitação sobe, alimentos recuam
Dos nove grupos pesquisados, Habitação registrou a maior variação e o maior impacto no mês, com alta de 0,97% e contribuição de 0,15 ponto percentual.
O principal vetor foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,03%, refletindo a vigência da bandeira tarifária amarela — com cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos — e a incorporação de reajustes tarifários em Curitiba (19,55%), Porto Alegre (14,89%), São Paulo (8,85%) e Belo Horizonte (5,21%).
No Rio de Janeiro, a variação de 4,88% reflete o retorno do reajuste de 15,10% sobre as tarifas de março de 2026, conforme despacho da Aneel.
No polo oposto, Alimentação e bebidas foi o grupo com a menor variação e impacto, recuando 0,66% e contribuindo com -0,15 ponto percentual. A queda foi puxada pela alimentação no domicílio (-1,14%), com destaque para as reduções do tomate (-19,95%), da batata-inglesa (-10,03%) e do café moído (-3,13%). No entanto, a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,40% em junho para 0,55% em julho.
Combustíveis caem, passagem aérea sobe
No grupo Transportes, os combustíveis recuaram 0,90% no mês, com quedas generalizadas: etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%). Contudo, a passagem aérea subiu 11,70%, pressionando o grupo para alta de 0,11%.
No Rio de Janeiro, as passagens aéreas avançaram 24,34%, tornando a cidade a região com a maior variação do IPCA-15 no mês (0,44%). Já Belém registrou o menor resultado (-0,22%), influenciada pelas quedas do açaí (-19,45%) e da gasolina (-3,35%).






