O BTG Pactual (BPAC11) analisou o fortalecimento do dólar global, levando consequentemente a uma depreciação do real. A projeção para o fim de 2022 é manter o valor de US$ 1 por R$ 4,80. Porém o cenário se tornou mais pessimista na margem, devido a crise econômica mundial, agravada pela guerra na Ucrânia.
A moeda brasileira apresentou reversão de tendência de apreciação observada no início deste ano, ou seja, o real voltou a ser negociado acima do câmbio de R$ 5, com perdas acumuladas de mais de 8% em 30 dias.
“Apesar da indisponibilidade dos dados oficiais sobre fluxo, entendemos que abril deve ter apresentado saída significativa de recursos pela conta financeira do balanço de pagamentos doméstico, o que contribuiu para a desvalorização da moeda.” informou trecho do relatório.

BTG (BPAC11): Cenário internacional e brasileiro
A alta de 0,5 ponto do Federal Open Market Committee (FOMC), acompanhada do guidance de continuidade e da redução do balanço do Fed são possíveis obstáculos para moedas de países emergentes. O banco de investimentos destacou o ciclo de fed funds rate (FFR), que poderá crescer em 0,5 ponto nas próximas quatro reuniões.
Vale lembrar, a alta de 0,25 ponto prevista para o último encontro de 2022, o que pode contribuir para a taxa média de de 3,125% (intervalo de taxa entre 3% e 3,25%) no término do ano.
Outro entrave para o real é a instabilidade no atual quadro de juros dos Estados Unidos, que tenta conter as oscilações relacionadas a alta inflação.

Projeções para o dólar em maio. Fonte: BTG
O cenário econômico brasileiro está impactado devido a alta na Selic, porém estima-se redução da taxa básica de juros para junho deste ano, o que pode tornar o mercado menos aquecido.
Para o BTG, o Copom fará um ajuste de 0,5 ponto e o término do ciclo em 13,25% torna-se atrativo para investidores de outros países. Em contrapartida, os riscos fiscais atrelados à indefinição dos reajustes salariais dos servidores e novos compromissos do governo podem representar movimentos de desvalorização do real.
“Nossa visão para a trajetória da taxa de câmbio entre o Real e o Dólar em 2022 contempla movimento de desvalorização do Real devido ao aperto da política monetária do Federal Reserve. Este vetor será, a partir de novembro, contrabalanceado pela redução da incerteza doméstica e pelo preço elevado das commodities, em linha com nossa estimativa de balança comercial com superávit de US$76 bilhões.” realçou o BTG.
Projeções
São previstas altas em todas as reuniões do FOMC nos Estados Unidos. Ao todo serão quatro encontros com crescimento de 50bps e uma última reunião com o acréscimo de 0,25 ponto e desta forma, 2022 terminaria com taxa entre 3,0% e 3,25%. O cenário adverso continuaria em 2023, com mais três altas de 0,25 ponto no ano, o que expandiria a taxa para o intervalo de 3,75% e 4,0%, ou seja, ciclo favorável para o dólar.
Por outro lado, a guerra entre Rússia e Ucrânia causaria impacto nas commodities devido as sanções que poderão ser impostas contra o país administrado por Vladimir Putin. O boicote ao petróleo russo proposto pela União Europeia, nesta semana, pode gerar apreciação da cotação do barril no mercado de referência e este fator seria favorável para o real.
- Leia também: União Europeia pretende banir petróleo da Rússia.
Por fim, o alto fluxo financeiro para o Brasil perdeu força durante o mês de abril e o principal obstáculo para o país foi a sua conta financeira do balanço de pagamentos. Segundo o BTG, os dados de fluxo de investidor estrangeiro da B3 sofreram impactos, o que prejudicou o real.
Juros Brasil e EUA
No Brasil, a reunião do Copom do dia 4 de maio assinalou aumento de 1% na taxa Selic e contribuiu para uma possível estratégia. O próximo encontro deverá apresentar o aumento de 0,5% na taxa básica de juros, o que encerra o ciclo de ajuste altista de 13,25%. Para o final de 2023 é previsto o percentual de 9,75%.
Nos Estados Unidos, estima-se neutralidade (2,4% ao ano), por causa do cenário que caminha para fed funds rate acima do câmbio. Vale lembrar, que a redução do balanço do Federal Reserve terá início no dia primeiro de junho.
“O endurecimento da política monetária é compatível, na nossa visão, com a continuidade do movimento de abertura da curva de juros norte-americana, que deve levar o vértice de 10 anos para próximo de 3,2%. Este cenário sugere depreciação do Real à frente, visto que a diferença entre os juros de Brasil e EUA deve diminuir, impactando a taxa de câmbio.” destacou o BTG.

Projeção dólar 2022. Fonte: BTG
Títulos e moedas emergentes
Foi contabilizada alta no CDS Brazil 10 years, devido a um possível alto risco sistêmico global e ao aquecimento das discussões de pauta, o que pode causar danos a sustentabilidade das contas públicas.
Em relação as commodities, o banco citou crescimento nos últimos 30 dias, porém com menor impacto do que outros períodos do ano. Os movimentos foram mistos, com valorização do petróleo e queda nas cotações do minério de ferro.
O dólar (DXY) registrou fortalecimento devido a rígida política monetária do Fed. Desta forma, o mercado acredita em cinco altas de 0,5 ponto neste 2022. As moedas de países emergentes sofreram depreciação nos últimos 30 dias e as mais afetadas foram o Peso Colombiano e o Peso Chileno.
” A adversidade do quadro de atividade econômica e risco global e o endurecimento da comunicação do Federal Reserve explicam este movimento, que também foi predominante entre as moedas de países exportadores,” finalizou o BTG.






