O modelo de previsões para a Copa do Mundo 2026 desenvolvido pela gestora britânica M&G Investments projeta vitória do Brasil sobre a Noruega por 2 a 1 nas próximas fases do torneio. O sistema foi criado por Joe Sullivan-Bissett, diretor de investimentos em renda fixa da casa, e combina fundamentos econômicos com o ranking oficial da Fifa para simular os resultados dos jogos.
A lógica por trás do modelo é inusitada, mas tem base sólida. Ele mistura, em proporções iguais, uma pontuação normalizada do ranking Fifa e uma pontuação econômica construída a partir de seis variáveis: população, crescimento real do PIB, inflação, desemprego, taxa de juros e dívida pública sobre o PIB.
O modelo já acertou o Brasil 2 a 1 sobre o Japão, resultado exato que validou a metodologia.
Como a economia vira gol
Cada variável tem uma justificativa econômica aplicada ao futebol. População é a base do modelo, numa escala logarítmica que valoriza o salto de 5 milhões para 50 milhões de habitantes, mas não o de 500 milhões para 5 bilhões.
PIB em crescimento sinaliza investimento em infraestrutura e academias de futebol. Inflação alta é tratada como penalidade de instabilidade, porque quando o preço de um lanche no estádio dobra todo ano, fica difícil manter a estabilidade institucional que produz jogadores de elite.
Desemprego baixo é um proxy de desenvolvimento, pais com filhos que podem treinar em vez de trabalhar. Taxas de juros abaixo de 5% indicam países com instituições que funcionam.
A dívida pública é o fator mais suave, tratado como cartão amarelo, não vermelho, para não prejudicar excessivamente países como o Japão, com dívida de 255% do PIB. Por fim, o ranking Fifa serve como âncora de realidade para evitar que a Argentina fique atrás de Curaçao só por conta dos indicadores econômicos.
Resultados: bom nos vencedores, fraco nos empates
Com a fase de grupos encerrada, o modelo acertou 48 dos 72 resultados possíveis, uma taxa de 66,7%. Acertou 8 placares exatos, dentro do corredor normal de modelos do tipo Poisson para futebol, que fica entre 8% e 14%.
Quando projeta vitória de um time, está certo em 69% dos casos. O ponto fraco são os empates: de 20 jogos que terminaram empatados, o modelo só antecipou 11, e apenas 6 se confirmaram.

O volume de gols é sistematicamente subestimado, com média prevista de 2,47 gols por partida contra 2,99 na realidade. Onde o modelo se destaca é na diferença de gols, com correlação de 0,67 com o resultado real, o que indica que ele identifica bem a força relativa entre os times, mesmo sem capturar o ritmo de abertura das partidas.
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