Home
Notícias
Money Week
Brasil não basta mais para a vida do investidor, diz Roberto Lee na Money Week

Brasil não basta mais para a vida do investidor, diz Roberto Lee na Money Week

Entre investidores com R$ 5 milhões, 90% fazem o primeiro movimento para fora do país, e 30% do patrimônio migra em seis meses

Para o CEO da Avenue, Roberto Lee, o Brasil não basta mais para garantir o padrão de vida do brasileiro. A avaliação foi feita nesta sexta-feira (28), durante painel na Money Week 2026, evento da EQI Investimentos em Balneário Camboriú. O painel reuniu ainda Emmanuel Hermann, fundador e CEO do Grupo Leste, e Roberto Varaschin, CIO e cofundador da própria EQI Investimentos.

“O Brasil não basta mais para a nossa vida. Bastou para os nossos pais, nossos avós, bisavós. Hoje, se você quiser manter seu patrimônio, seu estilo de vida, sua capacidade de consumo e poder de compra, precisa se encaminhar para o investimento internacional”, disse Roberto Lee, CEO da Avenue.

Lee descreveu a mudança de comportamento do investidor brasileiro ao longo dos últimos dez anos. Segundo ele, era residual a fatia de patrimônio destinada ao exterior nas contas abaixo de US$ 10 milhões.

Publicidade
Publicidade

“A jornada veio acompanhada de alguns momentos. No início eram só ações. Antes da Avenue, era ‘dinheiro frio’. Com os acessos e as informações, a primeira busca foi pelo ‘clichê’ das ações, como Apple, Google, Meta e Tesla”, afirmou.

Depois de cerca de cinco anos, a lógica mudou. O foco passou a ser proteção patrimonial diante da volatilidade do câmbio, com o dólar saindo de R$ 3,50 para R$ 6,50.

Carteiras migram para renda fixa

A migração seguiu para ativos menos voláteis, como renda fixa e até high yield, títulos de maior risco e retorno. Para Lee, o movimento é fruto de mais informação disponível ao investidor brasileiro.

“As carteiras hoje mantêm o perfil do Brasil, mas com ativos dolarizados. A pizza da renda fixa está crescendo enormemente. A renda fixa é dominante aqui e também nas carteiras lá fora”, disse Lee.

Lee compartilhou um dado sobre o perfil desse investidor. Entre os que têm cerca de R$ 5 milhões, 90% declaram que aquele é o primeiro movimento para fora do país. Em menos de seis meses, cerca de 30% do patrimônio total já vai para o exterior.

O executivo destacou ainda o avanço da compra de imóveis por brasileiros nos Estados Unidos, como segunda moradia ou fonte de renda.

“É incrível a quantidade de brasileiros comprando imóveis em Miami e Orlando. Antes, era só o topo da pirâmide que fazia isso. Agora, a gente vê a alta renda investindo fora também”, afirmou.

Emmanuel Hermann, Fundador e CEO do Grupo Leste
Emmanuel Hermann, do Grupo Leste (Imagem: EQI)

Grupo Leste vê mais eficiência e menos risco no crédito americano

Emmanuel Hermann, do Grupo Leste, trouxe a perspectiva do crédito imobiliário. Para ele, o mercado americano oferece mais previsibilidade e spreads de crédito mais tangíveis.

“Nos Estados Unidos, há mais previsibilidade. Os recursos são alocados com um spread de crédito mais tangível, dentro do programado. A retomada dos bens, de executar o crédito, é muito mais eficiente lá fora”, disse Hermann.

A Leste atua no crédito imobiliário dos EUA em duas frentes: reformas e empreendimentos sob medida, no modelo build to suit. Segundo Hermann, a inadimplência efetiva da operação fica abaixo de 0,1%.

“O Brasil, para explicar lá fora, é muito confuso. Explicamos que é uma ‘special situation’. O país virou um exportador de commodities que não vai durar para sempre”, disse Hermann.

Roberto Varaschin, CIO e Cofundador da EQI Investimentos
Roberto Varaschin, CIO e Cofundador da EQI Investimentos (Imagem: EQI)

Roberto Varaschin, da EQI Investimentos, reforçou o contraste com o Brasil na velocidade de recuperação de garantias.

“No Brasil, demora de 1,2 a 5 anos para retomar o ativo. Por isso, acessamos o crédito lá fora. Capturamos a diferença de juros”, disse Varaschin.

Os três painelistas convergiram para uma mesma leitura. Para o brasileiro de alta renda, a fronteira entre o patrimônio construído aqui e as oportunidades no exterior está cada vez mais apagada.

Leia também: