As expectativas para a taxa básica de juros, a taxa Selic, voltaram a ganhar destaque entre os economistas consultados no Boletim Focus, em meio a sinais de maior cautela sobre o cenário global e doméstico. O principal movimento ocorreu nas projeções para a Selic em 2026, cuja estimativa mediana avançou de 12,00% para 12,13%, indicando um leve aumento na percepção de risco entre os agentes do mercado.
Apesar da elevação parecer modesta, analistas destacam que o número reflete um ponto de equilíbrio instável nas estimativas coletadas pelo Banco Central. Isso ocorre porque a mediana está posicionada exatamente entre 12,00% e 12,25% em um conjunto par de participantes da pesquisa, o que faz com que o resultado seja determinado por uma média entre essas duas projeções.
Em momentos anteriores, esse tipo de configuração indicava maior probabilidade de a mediana retornar rapidamente para 12,25% na semana seguinte. Desta vez, porém, analistas avaliam que o movimento pode refletir uma mudança gradual de percepção entre parte dos participantes do mercado. Entre os fatores que influenciam essa cautela está a escalada das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, que elevam as incertezas sobre inflação global, preços de commodities e condições financeiras.
Ainda assim, algumas casas de análise mantêm projeções mais baixas para a taxa de juros ao final do ciclo. A estimativa continua sendo de que a Selic termine 2026 em 10,50%, o que pressupõe uma trajetória de queda mais consistente ao longo dos próximos anos.
Inflação e câmbio
No campo da inflação, as expectativas permaneceram relativamente estáveis. A projeção para 2026 ficou em 3,91%, enquanto a estimativa para 2027 subiu marginalmente de 3,79% para 3,80%. Já as previsões para 2028 e 2029 foram mantidas em 3,50%, sinalizando que o mercado ainda enxerga inflação próxima à meta no horizonte mais longo.
No câmbio, a estimativa para o dólar em 2026 recuou ligeiramente de R$ 5,42 para R$ 5,41. Para o período entre 2027 e 2029, as projeções permaneceram estáveis em R$ 5,50 por dólar.
As perspectivas para o crescimento econômico também ficaram inalteradas. O mercado segue projetando expansão de 1,82% do Produto Interno Bruto em 2026 e de 1,80% em 2027. Para 2028 e 2029, a expectativa continua em crescimento de 2,0%.






