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Ibovespa cai quase 5% na semana com guerra no Oriente Médio e disparada do petróleo

Ibovespa cai quase 5% na semana com guerra no Oriente Médio e disparada do petróleo

Escalada do conflito entre EUA e Irã impulsiona o petróleo, favorece petroleiras e provoca realização na bolsa após forte rali no início do ano

A semana foi difícil para o investidor brasileiro. Após um longo rali de valorização, o Ibovespa fechou a semana em queda, acumulando um recuo de 4,99% no período.

O movimento negativo ganhou força principalmente em dois dias da semana. Na terça-feira (3), o índice tombou 3,28%, enquanto na quarta-feira (4) a queda foi de 2,64%. Hoje (6), o pregão passou cerca de 90% do tempo no campo negativo e fechou com baixa de 0,61%.

A correção foi ainda mais intensa entre as empresas menores da bolsa. O Índice de Small Caps (SMLL), que reúne companhias de menor capitalização e geralmente mais sensíveis ao ciclo econômico, recuou 6,59% na semana.

Apesar da forte realização, o desempenho do mercado brasileiro em 2026 ainda é positivo. No acumulado do ano, o Ibovespa sobe 11,32%, refletindo o forte fluxo para ações brasileiras observado nos primeiros meses do ano.

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Guerra entre EUA e Irã pressiona mercados

A principal explicação para a queda da bolsa foi o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. No sétimo dia de conflito entre Estados Unidos e Irã, os investidores continuaram monitorando os desdobramentos militares e seus impactos sobre o mercado de energia. Embora o calendário econômico também tenha trazido dados relevantes no Brasil e no exterior, a guerra seguiu ditando o humor global.

O prolongamento do conflito manteve o petróleo em forte alta, aumentando a cautela entre investidores. Em entrevista ao Financial Times, o ministro da Energia do Catar alertou que a guerra pode forçar, em poucos dias, a interrupção das exportações de energia de países do Golfo Pérsico. Segundo ele, após um ataque de drone atribuído ao Irã, a normalização do fornecimento de gás natural poderia levar meses.

Em meio à escalada do conflito, Washington tentou conter a disparada dos preços do petróleo ao conceder à Índia uma isenção emergencial de 30 dias para importar petróleo russo já em trânsito marítimo. O secretário de Estado dos EUA, Scott Bessent, afirmou à BBC que a flexibilização busca apenas permitir o escoamento de cargas já embarcadas, sem oferecer suporte financeiro relevante à economia russa.

O alívio, porém, durou pouco. O temor de uma guerra prolongada voltou a impulsionar os preços da commodity. Por volta das 16h (horário de Brasília), o Brent subia 7,73%, a US$ 93,14 por barril, enquanto o WTI avançava 10,34%, a US$ 91,35 — o maior patamar desde abril de 2024.

Petroleiras se destacam na bolsa

Com a disparada do petróleo, empresas ligadas ao setor de energia lideraram os ganhos da semana. Prio avançou 9,58% e a Petrobras subiu 7,68% nas ações ordinárias e 7,27% nas preferenciais.

O destaque absoluto da semana, porém, foi a Braskem (BRKM5). As ações preferenciais da maior petroquímica da América Latina dispararam 32,53%, passando de valores próximos a R$ 8 para mais de R$ 12 em poucos dias — uma valorização que chamou a atenção de analistas e investidores.

A alta foi impulsionada pela aprovação, no Congresso Nacional, do REIQ (Regime Especial da Indústria Química), um projeto de lei que triplica os incentivos fiscais para a empresa. A medida pode injetar cerca de US$ 290 milhões adicionais no caixa da companhia apenas em 2026 — equivalente a aproximadamente metade do seu lucro operacional recente.

O projeto tramitou com urgência na Câmara, aprovado em 9 de fevereiro, e recebeu aval final no Senado em 25 de fevereiro. Agora aguarda apenas a sanção presidencial para entrar em vigor.

Para entender o impacto, imagine um desconto expressivo no imposto que a Braskem paga sobre seus produtos químicos — como plásticos e resinas usados em embalagens e tubos. Esse alívio fiscal chega em boa hora: o setor vem sendo pressionado por concorrência global intensa e por spreads comprimidos, isto é, a diferença entre o custo da matéria-prima e o preço de venda final.

A notícia veio em boa hora mesmo diante de uma prévia fraca do quarto trimestre, divulgada em 1º de março, que apontava prejuízos. Analistas de bancos como XP e BTG classificaram o REIQ como um “alívio bem-vindo”, capaz de superar ruídos como as dificuldades da operação da companhia no México.

Ainda falta a sanção presidencial para que o benefício se torne definitivo, mas o otimismo já transformou o humor em torno do papel: de preocupação para euforia entre os investidores.

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Maiores altas da semana

RankingEmpresaVariação
1Braskem PN+32,53%
2Prio ON+9,58%
3Petrobras ON+7,68%
4Petrobras PN+7,27%
5Brava ON+6,28%
6Petrorecôncavo ON+5,03%
7Ultrapar ON+2,09%
8Vibra ON+1,84%
9Magazine Luiza ON-0,53%
10SLC Agrícola ON-0,79%

Queda generalizada nos demais setores

Apesar do bom desempenho das empresas ligadas ao petróleo e ao setor químico, o restante da bolsa apresentou queda generalizada, sem um padrão claro por setor. Entre as maiores perdas da semana estiveram companhias ligadas a commodities, consumo e indústria.

RankingEmpresaVariação
1CSN ON-16,59%
2Minerva ON-14,18%
3Embraer ON-13,06%
4Assaí ON-12,74%
5Marfrig-12,38%
6CVC ON-11,74%
7Cosan ON-11,29%
8Vale ON-11,25%
9Raízen PN-11,11%
10Localiza PN-10,88%