A Bélgica se tornou o primeiro país a impor uma quarentena obrigatória de 21 dias para pacientes contaminados com a varíola do macaco. A medida foi decretada na última sexta-feira (20) e mostra uma tentativa de frear os avanços da doença, que vem se espalhando pelo mundo nos últimos dias.
As autoridades de saúde aplicaram as ações depois que a Bélgica confirmou o seu terceiro caso da doença. Somente nesta segunda-feira (23), o país registrou quatro casos locais. Em termos globais, já são ao menos 100 ocorrências.
Medidas obrigatórias na Bélgica
Hoje, as medidas obrigatórias do país aplicam-se apenas a pacientes com infecção confirmada. Segundo informações divulgadas pela imprensa, pessoas próximas não são obrigadas a se isolar, mas são incentivadas pelas autoridades a manterem-se em alerta, caso tenham entrado em contato com pessoas infectadas.
“As pessoas infectadas terão que entrar em isolamento de contato até que as lesões se curem (elas receberão instruções concretas sobre isso do médico responsável”, alerta o anúncio do governo.
Em contrapartida às medidas belgas, o governo do Reino Unido incentivou as pessoas com algum risco de contrair a doença se isolarem por 21 dias. Esta indicação é válida para todos os cidadãos, desde profissionais que tiveram contato com algum paciente adoentado até pessoas que têm conhecidos que se contaminaram.
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O que é a varíola do macaco?
A doença é causada pelo vírus ‘monkeypox’ — vírus que faz parte da família da varíola. Entre os sintomas estão: erupções cutâneas, febre, dores de cabeça, dores musculares, inchaço e dor nas costas.
Segundo os Centros de Controle de Doenças e Infecções dos EUA e a Agência de Segurança, houve uma concentração de casos entre homens gays e bissexuais, pedindo que estes grupos de pessoas fiquem em alerta em relação ao surgimento de qualquer erupção ou lesão.
Varíola do macaco”: Situação global
De acordo com um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), 92 casos de varíola do macaco foram confirmados em 12 países até o último sábado (21). Além disso, 28 casos suspeitos ainda estavam sob investigação. Entre os países que têm casos confirmados estão: EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália, Alemanha, França, Itália, Espanha, Suécia, Bélgica, Portugal e Holanda.
Causas da crise
Em nota à imprensa, a OMS explicou que os casos recentes não têm quaisquer ligações com viagens para países africanos endêmicos — fato incomum para a doença, que geralmente se espalha através de contato humano-humano ou humano-animal.
“As investigações epidemiológicas estão em andamento, no entanto, os casos relatados até agora não têm links de viagem estabelecidos para áreas endêmicas”, afirmou a OMS.
“Com base nas informações atualmente disponíveis, os casos foram identificados principalmente, mas não exclusivamente, entre homens que fazem sexo com homens (HSH) que procuram atendimento na atenção primária e clínicas de saúde sexual”, acrescentou.
Alerta de preocupação
A ausência de motivações claras para a disseminação da doença por países diferentes tem preocupado as autoridades, que se esforçam para entender esta crise: “Para que apareça agora – mais de 100 casos em 12 países diferentes sem conexão óbvia — significa que temos que descobrir exatamente o que está acontecendo”, disse Seth Berkley, CEO da aliança global de vacinas Gavi, à CNBC.
“A verdade é que não sabemos o que é isso e, portanto, quão grave será. Mas é provável que veremos mais casos”, disse ele.
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