O déficit em conta corrente somou US$ 4,136 bilhões em julho, segundo levantamento do Banco Central do Brasil (BC) divulgado na manhã desta segunda-feira (26). Esse resultado configura a pior marcação desde julho de 2019.
Já o Investimento Direto Estrangeiro (IDP) em julho somou US$ 7,723 bilhões. No ano, até julho, alcançou US$ 52631 bilhões.
De acordo com o relatório encaminhado ao mercado, o déficit de julho (US$ 4,1 bi) se deu frente ao déficit de US$ 1,2 bilhão em julho de 2021.
Na comparação interanual, houve redução de US$ 2,1 bilhões no saldo da balança comercial de bens e aumentos de US$ 790 milhões e de US$ 179 milhões nos déficits em serviços e em renda primária, respectivamente.
Já o déficit em transações correntes nos doze meses até julho de 2022 somou US$ 36,6 bilhões (2,08% do PIB), ante US$ 33,6 bilhões (1,92% do PIB) no mês anterior e US$ 20,9 bilhões (1,37% do PIB) em julho de 2021.

Déficit em conta corrente pelo BC
Ainda de acordo com o levantamento, a balança comercial de bens registrou superávit de US$ 4,2 bilhões em julho de 2022, ante saldo positivo de US$ 6,3 bilhões em julho de 2021.
As exportações de bens totalizaram US$30,2 bilhões, enquanto as importações somaram US$26,1 bilhões, incrementos de 17,4% e de 33,8% em comparação a julho de 2021, respectivamente.
Já o déficit na conta de serviços somou US$ 2,1 bilhões em julho de 2022, aumento de 59,2% em relação a julho de 2021.
A conta de viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$ 661 milhões no mês, ante US$ 229 milhões em julho de 2021. Na mesma base comparativa, e seguindo a tendência dos meses recentes, os fluxos brutos de receitas de viagens expandiram 74,4%, totalizando US$ 389 milhões, enquanto as despesas brutas de viagens cresceram 132,1%, somando US$ 1,0 bilhão.
As despesas líquidas de transportes somaram US$726 milhões em julho de 2022, ante US$273 milhões em julho de 2021, aumento de 166,3%. Aluguel de equipamentos registrou despesas líquidas de US$670 milhões no mês, ante US$609 milhões em julho de 2021.

Banco Central do Brasil
Em julho de 2022, o déficit na conta de renda primária totalizou US$ 6,5 bilhões, estável relativamente aos US$ 6,4 bilhões ocorridos em julho de 2021.
As despesas líquidas de lucros e dividendos aumentaram para US$ 3,6 bilhões, ante US$ 2,9 bilhões em julho de 2021. As despesas líquidas com juros somaram US$ 3,0 bilhões em julho de 2022, ante US$ 3,5 bilhões em julho de 2021. A redução de despesas de juros concentrou-se em operações de empresas de mesmo grupo econômico.
Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 7,7 bilhões em julho de 2022, ante US$ 6,6 bilhões em julho de 2021. Houve ingressos líquidos de US$ 5,6 bilhões em participação no capital e de US$ 2,1 bilhões em operações intercompanhia.
Nos doze meses encerrados em julho de 2022, o IDP totalizou US$ 65,6 bilhões (3,73% do PIB), ante US$ 64,5 bilhões (3,69% do PIB) no mês anterior e US$ 44,9 bilhões (2,95% do PIB) em julho de 2021.
Os investimentos em carteira no mercado doméstico totalizaram saídas líquidas de US$ 60 milhões em julho de 2022, compostos por saídas de US$816 milhões em ações e fundos de investimento e entradas de US$ 755 milhões em títulos de dívida. Nos doze meses encerrados em julho de 2022, os investimentos em carteira no mercado doméstico somaram saídas líquidas de US$ 269 milhões.

Reservas internacionais
As reservas internacionais somaram US$ 346,4 bilhões em julho de 2022, aumento de US$ 4,4 bilhões em comparação ao mês anterior. O resultado decorreu, principalmente, das variações por preços e da receita de juros, que contribuíram para elevar o estoque em US$ 3,9 bilhões e US$ 540 milhões, respectivamente.

Adiamento da revisão ordinária anual para novembro de 2022
De acordo com a Política de Revisão das Estatísticas Econômicas Oficiais Compiladas pelo Departamento de Estatísticas (DSTAT) do Banco Central do Brasil, de outubro de 2019, as estatísticas do setor externo sofrem revisão ordinária anual nos meses de julho e novembro.
Neste ano, excepcionalmente, a revisão de julho, realizada por ocasião da divulgação das estatísticas referentes ao mês de junho, foi adiada em função do atraso na divulgação das estatísticas. Essa revisão ordinária anual ocorrerá conjuntamente com a revisão de novembro.
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