Para Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudanças Climáticas do BNDES, o Brasil tem uma vantagem pouco explorada. O custo de produção de energia no país está entre os mais baixos do mundo.
A avaliação foi feita nesta sexta-feira (28), durante painel na Money Week 2026, evento da EQI Investimentos em Balneário Camboriú. O painel também contou com João Zanott, analista CNPI da EQI Investimentos.
“Temos um dos menores custos de produção de energia do mundo. Hoje, nosso custo é de 25 megawatts-hora, e o da OCDE é de 50 megawatts-hora”, disse Luciana Costa, diretora do BNDES.
Para Luciana, o Brasil também se beneficia de um cenário externo turbulento. Guerra no Oriente Médio, petróleo pressionando a Índia e instabilidade nos Estados Unidos deixam investidores de olho no país. Mesmo assim, ela cobrou uma comunicação melhor sobre o Brasil.
“Precisamos ser mais como os argentinos, que vendem bem as coisas deles. A gente vende mal e cria ruído desnecessário, mexendo no humor do investidor internacional”, afirmou.
Redata é peça-chave para destravar investimentos em data centers
“O Redata é fundamental para os investimentos no setor no Brasil”, disse Luciana.
O programa é o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center. O programa foi criado pelo governo federal para desonerar a compra de equipamentos usados na instalação de data centers no país.
A proposta original perdeu validade no Congresso em fevereiro, e o texto que a substitui segue parado no Legislativo. Para Luciana, aprovar essa regulamentação é condição para destravar investimentos bilionários em infraestrutura digital.
Ela também conectou o tema à explosão da inteligência artificial no mundo.
“IA é sobre processamento de dados. Assim que conseguimos passar o Redata, destrava um monte de investimentos em infraestrutura”, afirmou.
João Zanott, analista da EQI Investimentos (Imagem: EQI)
Infraestrutura é um jogo de 30 anos
João Zanott, analista CNPI da EQI Investimentos, trouxe o olhar do investidor para o horizonte de longo prazo do setor.
“Quando falamos de infraestrutura, estamos falando de 30 anos”, disse João Zanott, analista CNPI da EQI Investimentos.
Zanott defendeu que o Brasil atraia mais investimentos em consumo de energia, já que o país às vezes produz mais do que utiliza.
“Seria muito bom trazer investimentos em carga. Às vezes sobra energia. Precisamos de data centers para usar a energia abundante do país”, afirmou.
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