A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul marcou um novo passo nas negociações para exportação de carne bovina e suína, além de ovos e uva. O acordo com a Coreia do Sul, segundo avaliação do Safra, pode beneficiar especialmente a Minerva, ampliando as exportações de carne bovina e fortalecendo a presença brasileira no mercado asiático.
Durante a missão oficial, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que houve avanço na etapa final para a abertura do mercado de ovos e na previsão de auditorias sanitárias para uva e carne bovina. No caso da carne suína, estados livres de febre aftosa e peste suína clássica poderão ser avaliados pelas autoridades sul-coreanas.
A abertura do mercado sul-coreano é considerada estratégica. O país está entre os maiores importadores globais de proteína animal, o que pode representar uma nova frente relevante para as exportações brasileiras.
Minerva é a principal beneficiada, aponta Safra
Em relatório, o Banco Safra destacou que o avanço nas negociações é positivo para os frigoríficos brasileiros. O documento afirma que o acordo na Coreia do Sul beneficia “especialmente” a Minerva (BEEF3), mas também pode favorecer JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).
Segundo o Safra, a Coreia do Sul é o quarto maior importador global de carne bovina, respondendo por cerca de 5% das importações mundiais. No caso da carne suína, ocupa a sexta posição, com aproximadamente 7% das compras globais. Esse peso reforça o potencial de impacto do acordo sobre as exportações brasileiras.
O relatório também chama atenção para a concentração atual das vendas externas. Hoje, a China responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne bovina. A entrada na Coreia do Sul pode ajudar a diversificar destinos e reduzir riscos comerciais.
Auditorias e próximos passos
Apesar do avanço, o acordo ainda depende de auditorias sanitárias em plantas frigoríficas brasileiras. Técnicos sul-coreanos deverão inspecionar as unidades para verificar o cumprimento das exigências locais.
No caso da carne suína, apenas frigoríficos localizados em estados reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal como livres de doenças específicas poderão ser habilitados. O governo brasileiro demonstra confiança no processo, argumentando que o país já atende a padrões rigorosos exigidos por mercados como o chinês.
Se confirmado, o acordo com a Coreia do Sul pode representar um marco após quase duas décadas de negociações. Para a Minerva e demais frigoríficos, trata-se de uma oportunidade concreta de ampliar receitas e melhorar margens em um cenário de busca por novos mercados e maior diversificação das exportações brasileiras.
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