Descubra as 10 Maiores Pagadoras de Dividendos da Bolsa
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Notícias
Mercados
2025 foi para esquecer no aço brasileiro, mas 2026 promete melhora, com Gerdau em destaque

2025 foi para esquecer no aço brasileiro, mas 2026 promete melhora, com Gerdau em destaque

Mesmo com demanda resiliente, importações ganharam espaço em 2025 e comprimiram as margens das siderúrgicas. Para 2026, a agenda antidumping vira o principal gatilho — e a Gerdau aparece como o nome mais bem posicionado

O ano de 2025 foi difícil para o aço brasileiro. Mesmo com uma demanda mais resiliente do que o esperado, o setor fechou o período pressionado por importações em alta, perda de participação de mercado e margens comprimidas, em um cenário que manteve a rentabilidade das siderúrgicas em níveis considerados deprimidos.

Para 2026, o mercado passa a olhar para a agenda antidumping como o principal gatilho de melhora — ainda que o caminho de recuperação pareça limitado — com a Gerdau (GGBR4) como o nome mais bem posicionado dentro do setor.

Os dados constam em um relatório setorial do BTG Pactual (BPAC11), com base nas estatísticas de alta frequência do Instituto Aço Brasil, que consolidam os números do setor em dezembro e no acumulado de 2025.

Publicidade
Publicidade

2025 fraco: demanda até reagiu, mas importações “tomaram” o mercado

Os números do setor mostram que, apesar de algum fôlego do lado da demanda, o grande fator de estresse em 2025 veio da competição externa.

Segundo o BTG, a demanda aparente por aço cresceu 3% no ano, mas as importações avançaram 7%, indicando ganho de participação de mercado por produtos vindos de fora, movimento que pressiona preços e reduz poder de barganha das siderúrgicas no mercado de aço brasileiro.

“Apesar de a demanda ter sido mais resiliente do que o esperado, a pressão das importações continua pesando sobre a rentabilidade da indústria”, afirmaram os analistas do BTG Pactual.

Na leitura do banco de investimentos, o cenário reforça uma leitura importante para 2026, em que o problema do setor não está apenas em “consumo fraco”, mas na dinâmica competitiva, que limita a recuperação da rentabilidade mesmo em um ambiente de demanda relativamente firme.

Aço plano virou o epicentro do problema, com salto das importações

O ponto mais sensível do diagnóstico está no mercado de aços planos, segmento em que a presença de importados cresceu de forma mais intensa. O BTG destaca que as importações de planos subiram 30% em 2025, sobre uma base já elevada — um avanço considerado particularmente preocupante para a indústria local.

“Isso foi particularmente evidente nos aços planos, em que as importações avançaram 30% em 2025 sobre uma base já elevada”, escreveram os analistas.

Os dados de dezembro ajudam a ilustrar o tamanho da pressão no fim do ano. A demanda aparente subiu 17% na comparação anual, puxada por embarques domésticos mais fortes e importações ainda mais aceleradas. No mês, os embarques domésticos avançaram 15%, enquanto as importações cresceram 26%, segundo o relatório.

Dentro do recorte, os embarques domésticos de aços planos somaram 1,029 milhão de toneladas em dezembro, alta de 12% na comparação anual, embora ainda acumulando queda de 1% no ano. Já as importações de planos dispararam 75% em dezembro, mantendo a penetração de importados em um patamar elevado, ao redor de 24%.

Leia também:

Margens abaixo de 10% e um setor ainda longe do ‘normal’

A consequência direta desse ambiente competitivo foi a compressão da rentabilidade. O BTG aponta que as siderúrgicas brasileiras terminaram o ano com margens EBITDA abaixo de 10%, em níveis comparáveis aos observados em períodos historicamente fracos para o setor.

“Com isso, o setor segue sob pressão, com siderúrgicas operando com margens EBITDA abaixo de 10%, em níveis comparáveis aos observados em períodos deprimidos”, disseram os analistas.

O dado chama atenção porque, na visão do banco, a “normalização” da indústria estaria mais próxima de margens ao redor de 15% — patamar que, por ora, segue distante diante do aumento das importações e do enfraquecimento do poder de precificação das empresas no mercado doméstico.

2026 pode ser melhor, mas o gatilho depende do antidumping

Para 2026, o principal vetor de melhora passa pela agenda antidumping, que vem ganhando espaço no debate do setor e pode funcionar como um “evento positivo” após um ano marcado por pressão de preços.

“A agenda antidumping deve ser o principal catalisador para o setor, mas não esperamos que essas medidas sejam suficientes para restaurar a rentabilidade a níveis normalizados”, avaliaram os analistas do BTG.

Na prática, o antidumping tende a ser visto como uma tentativa de reduzir distorções competitivas e limitar a entrada de produtos importados a preços considerados desleais. Ainda assim, o BTG pondera que existem riscos relevantes que podem reduzir a efetividade dessas medidas, como triangulação e ajustes de NCM, que podem manter parte da pressão sobre os preços e o market share das siderúrgicas brasileiras.

Por isso, a leitura para 2026 é de melhora marginal, mas não de “virada completa” do ciclo de rentabilidade.

China segue como pano de fundo: excesso global derruba preços

Mesmo com o foco doméstico em antidumping, o pano de fundo global segue sendo o excesso de capacidade da China, que influencia o mercado internacional e acaba transbordando para países importadores — inclusive o Brasil.

“O problema global segue sendo o excesso de oferta da China, que mantém exportações em níveis elevados e pressiona os preços no mundo todo”, afirmaram os analistas.

O relatório destaca que Pequim tem aumentado a retórica sobre enfrentar a sobrecapacidade em setores como aço, painéis solares e veículos elétricos. Porém, até agora, não houve medidas concretas capazes de produzir cortes relevantes de produção — e, portanto, o cenário global segue desafiador para a formação de preços.

Nesse contexto, o BTG avalia que o setor deve continuar enfrentando um ambiente competitivo mais duro nos próximos trimestres, com importações pressionando o mercado local e limitando uma recuperação mais forte da rentabilidade.

Por que a Gerdau aparece como a favorita do mercado

Em meio a um setor ainda pressionado, a Gerdau surge como o nome mais bem posicionado na visão do BTG, justamente por ter uma característica que a diferencia das concorrentes: a exposição ao mercado americano.

“Seguimos favorecendo nomes de maior qualidade, como a Gerdau, principalmente pela exposição superior a 50% ao mercado protegido dos Estados Unidos”, disseram os analistas.

O banco chama atenção para o fato de que os EUA são um mercado considerado mais protegido, atualmente sob uma tarifa-base de 50%, o que tende a reduzir a vulnerabilidade da companhia à pressão de importações no Brasil e melhora a previsibilidade de parte do seu resultado.

Já na ponta doméstica, o BTG mantém uma visão mais cautelosa para as siderúrgicas brasileiras como um todo, mesmo reconhecendo que a agenda antidumping pode funcionar como catalisador.