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Ata do Fomc: altas dos juros ainda são necessárias; economista da EQI Asset vê desaceleração

Ata do Fomc: altas dos juros ainda são necessárias; economista da EQI Asset vê desaceleração

Matheus Miranda

Matheus Miranda

17 Ago 2022 às 15:38 · Última atualização: 17 Ago 2022 · 5 min leitura

Matheus Miranda

17 Ago 2022 às 15:38 · 5 min leitura
Última atualização: 17 Ago 2022

juros dos estados unidos

A ata do Fomc, ligado ao Federal Reserve (FED) – órgão equivalente ao Comitê de Política Econômica (Copom), do Brasil – avalia, em tom hawkish, que novas altas na taxa básica de juros dos Estados Unidos podem ocorrer. Isso porque a pressão inflacionária permanece acima do nível considerado aceitável pelo colegiado, que é de 2%. O colegiado entende que é necessário que as condições monetárias mantenham-se apertadas enquanto não ocorrer uma redução da inflação.

Segundo a ata, neste contexto, todos os participantes concordaram que era apropriado aumentar o intervalo da meta para a taxa de fundos federais em 0,75 ponto na próxima reunião e continuar o processo de redução das detenções de títulos do Federal Reserve. Por outro o comunicado deixou em aberta a possibilidade de desacelerar as altas.

“Ao considerar a postura apropriada da política monetária, os participantes concordaram que o mercado de trabalho estava muito apertado e que a inflação estava muito acima do objetivo de inflação de 2% do Comitê”, diz trecho da ata.

O documento abordou que, ao discutir possíveis ações de política nas próximas reuniões, os participantes do colegiado continuaram a antecipar que os aumentos contínuos na faixa da meta para a taxa dos fundos federais seriam apropriados para atingir os objetivos do Comitê.

“Com a inflação permanecendo bem acima do objetivo do Comitê, os participantes julgaram que a mudança para uma postura restritiva da política era necessária para cumprir o mandato legislativo do Comitê de promover o máximo de emprego e estabilidade de preços”, diz outro trecho da ata.

Ata do Fomc: desaceleração da política monetária

O documento informou ainda que uma desaceleração do aumento das taxas de juros não está descartada, embora dependa da postura da política monetária. Assim, alguns participantes entenderam que, uma vez que a taxa atingisse um nível suficientemente restritivo seria manter esse nível por algum tempo para garantir que a inflação estivesse firmemente em um caminho de volta a 2%. Isso significa que, quanto mais for maior o aperto na política, mais o Fomc poderá reduzir o ritmo da alta. Mas o órgão entende como imprescindível o retorno da inflação ao patamar de 2%.

“Os participantes concordaram que, ao elevar rapidamente a taxa básica de juros, o Comitê estava agindo com determinação para reduzir a inflação para 2% e ancorar as expectativas de inflação em níveis consistentes com essa meta de longo prazo”, diz outro trecho da ata.

Como está a inflação nos EUA

O Índice de Preços ao Consumidor (PCE dos EUA), divulgado no fim de julho, e um dos principais indicadores da economia norte-americana, mostra que a inflação subiu 1% em junho ante maio.

Conforme o governo dos Estados Unidos (EUA), considerando a base anual, a elevação foi de 6,8% ante junho de 2021, o que configura o maior avanço em 40 anos.

Já o Núcleo do PCE subiu 0,6% em junho, na margem, acima do consenso de alta de 0,5%, e a renda pessoal subiu 0,6% em junho, ante consenso de alta de 0,5%.

BTG (BPAC11): juros devem permanecer elevados

Arthur Mota, economista do BTG Pactual (BPAC11) avaliou que a ata demonstrou que, em algum momento, o nível do aumento dos juros pode sofrer uma desaceleração, o que indicaria que na próxima reunião o Fomc poderia fazer uma elevação de 0,5 ponto em vez de 0,75 ponto, mas mantendo os juros ainda mais elevados do que o necessário para conter a inflação alta por lá.

“Isto apareceu formalmente na ata, de que seria necessário desacelerar. Mas há um desejo de manter o nível dos juros ainda alto”, explicou o economista.

Mota analisou ainda que, a sugestão de que os juros podem permanecer em um patamar elevado sugere que o Fed ativou a luz amarela com relação ao alerta sobre o nível de inflação.

Com relação à ata anterior, ele lembrou que o diagnóstico sobre inflação pouco mudou e que o colegiado tem mantido um olhar sobre o mercado de trabalho. Ele disse que a ata demonstra que paira uma dúvida com relação aos empregos por parte da autoridade monetária.

Tá, e aí?Stephan Kautz, economista chefe da EQI Asset

Stephan Kautz, economista chefe da EQI Asset, avalia que o FED pode promover uma alta menos intensa na próxima reunião. Em vez de uma elevação 0,75 ponto percentual ele vislumbra um aumento de 0,5 ponto na taxa de juros.

“A tendência é que o FED seja mais cauteloso. O principal motivo é um sinal de desaceleração da inflação no último número, inclusive no setor de serviços”, analisou.

Além disso, Kautz disse que o fato da taxa de juros norte-americana estar em uma nível considerado neutro, de 2,5%, pode fazer com que a autoridade monetária daquele país promova apertos mais graduais e menos agressivos.

“Porém, ainda acreditamos que podem surpreender o mercado, elevando a taxa para acima de 4%. Porém, em um ritmo mais lento”, concluiu ele.

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