A XP atualizou o preço-alvo das ações da SLC Agrícola (SLCE3) para R$ 17,00 por papel, ante R$ 16,40 anteriormente, com base em seu modelo de fluxo de caixa descontado (DCF). Apesar da revisão positiva na estimativa, a casa manteve a recomendação neutra para a companhia, avaliando que a relação entre risco e retorno permanece equilibrada.
A atualização do modelo incorpora mudanças nas projeções de curto prazo, incluindo a posição de hedge mais recente da empresa, os efeitos financeiros da aquisição recente de terras e um ambiente macroeconômico mais desafiador, marcado por juros elevados e condições cambiais menos favoráveis.
Segundo a XP, as posições de hedge da companhia ajudam a reduzir parcialmente os impactos negativos do câmbio, mas a recente valorização do real frente ao dólar continua pressionando a geração de caixa e os resultados da empresa.
Commodities sustentam tese, mas alavancagem limita potencial
A visão da XP para as commodities agrícolas segue positiva, principalmente para soja e algodão. A soja aparece como o principal destaque, com potencial de valorização sustentado por balanços globais mais apertados. Já o algodão continua favorecido pela menor oferta exportável entre os principais produtores.
No caso do milho, a avaliação é mais equilibrada. A expectativa é de que estoques confortáveis e a maior concorrência da Argentina reduzam o espaço para uma alta mais expressiva dos preços.
Mesmo com fundamentos favoráveis para algumas culturas, a XP destaca que os fatores macroeconômicos continuam sendo decisivos para o desempenho da SLC no curto prazo. A aquisição recente de terras também é vista como um ponto de atenção, por elevar a necessidade de capital e aumentar a pressão sobre a estrutura financeira da companhia.
A projeção da casa é que a relação entre dívida líquida e EBITDA, incluindo arrendamentos, alcance 3,7 vezes ao final de 2026. A XP estima ainda uma queima de caixa próxima de R$ 1 bilhão no período.
Além da questão financeira, o risco climático permanece no radar dos analistas. As incertezas relacionadas ao fenômeno El Niño podem afetar a produtividade das lavouras e pressionar as estimativas de resultados.
Apesar do cenário construtivo para algumas commodities, a XP entende que a combinação entre maior alavancagem, ambiente macroeconômico adverso e riscos de produtividade mantém limitada a possibilidade de uma reprecificação da ação no curto prazo. Por isso, a recomendação para SLCE3 permanece neutra.






