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CPFL pode ganhar impulso com agenda regulatória, diz Safra

CPFL pode ganhar impulso com agenda regulatória, diz Safra

O principal destaque da tese de investimento da empresa está na estratégia de concentrar recursos nos segmentos de distribuição e transmissão de energia

A CPFL Energia (CPFE3) pode entrar em um novo ciclo de valorização impulsionado por uma agenda regulatória mais favorável, crescimento dos investimentos e oportunidades em leilões de transmissão e de reserva de capacidade, segundo avaliação do banco Safra após reuniões da companhia com investidores nos Estados Unidos.

De acordo com o relatório, o principal destaque da tese de investimento da empresa está na estratégia de concentrar recursos nos segmentos de distribuição e transmissão de energia, considerados o núcleo do negócio. Nos próximos cinco anos, a CPFL prevê investir cerca de R$ 25 bilhões na área de distribuição, montante que deve elevar sua Base de Remuneração Regulatória (RAB) para aproximadamente R$ 23 bilhões.

O Safra destaca que o ambiente regulatório também tende a favorecer a companhia. Entre os temas em discussão estão o reconhecimento dos investimentos anuais no cálculo do fator X, mecanismo utilizado nas revisões tarifárias, o que poderia incentivar aportes em modernização das redes elétricas e na instalação de medidores inteligentes. Outra pauta considerada positiva é uma possível revisão da metodologia para cálculo dos índices de inadimplência e perdas das distribuidoras.

Aquisição de concessões

Durante o encontro com investidores, um dos assuntos mais debatidos foi a possibilidade de a concessão da Enel São Paulo ser encerrada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo a administração da CPFL, caso o ativo seja colocado à venda, a empresa poderá avaliar uma eventual aquisição, considerando a proximidade geográfica com sua atual área de atuação.

A companhia também demonstrou interesse nas oportunidades de crescimento que podem surgir com os próximos leilões de transmissão e de reserva de capacidade. Na avaliação da administração, esses projetos, aliados a investimentos em sistemas de armazenamento por baterias, podem compensar parte dos impactos negativos provocados pelo chamado curtailment, restrição na geração de energia que vem reduzindo a rentabilidade dos projetos de geração.

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Outro tema levantado pelos investidores foi o cenário macroeconômico e os riscos regulatórios diante do calendário eleitoral. Segundo a CPFL, os reajustes tarifários continuam sendo aprovados normalmente, com pequenos adiamentos, enquanto a pressão sobre as tarifas decorre principalmente do aumento dos subsídios do setor, sem impacto direto sobre as empresas. A companhia, no entanto, reconhece que a inadimplência pode aumentar no segundo semestre de 2026.

Em relação à política financeira, a empresa reafirmou que pretende manter a alavancagem entre 2,5 e 3 vezes, preservando espaço para continuar distribuindo dividendos aos acionistas. Também chamou atenção o crescimento da demanda por energia de data centers em sua área de concessão, mesmo em um ambiente de atividade econômica mais fraca.

Para o Safra, o setor elétrico brasileiro negocia atualmente em níveis atrativos após apresentar desempenho inferior ao do Ibovespa nos últimos meses. O banco avalia que as empresas sob sua cobertura devem continuar apresentando crescimento do Ebitda graças à entrada em operação de novos ativos, às revisões tarifárias e a possíveis aquisições, além de manterem a capacidade de repassar a inflação para as tarifas.

Na visão dos analistas, o setor oferece uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real estimada em cerca de 12%, acima dos aproximadamente 8% dos títulos públicos, o que reforça o potencial de valorização das ações de empresas como a CPFL.