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Engie e Compass entram na carteira de dividendos do BTG

Engie e Compass entram na carteira de dividendos do BTG

Banco retira Ambev e Caixa Seguridade, eleva pesos de Vale e Copasa e projeta dividend yield de até 12,8%

O BTG Pactual incluiu Engie (EGIE3) e Compass (PASS3) em sua carteira recomendada de dividendos para agosto. As duas ações entram com peso de 5% cada, nos lugares de Ambev (ABEV3) e Caixa Seguridade (CXSE3).

O banco também elevou de 5% para 10% as participações de Vale (VALE3) e Copasa (CSMG3). Assim, os 20 pontos percentuais liberados pelas duas saídas foram distribuídos entre as novas ações e o reforço das duas posições já existentes.

Apesar das saídas de Ambev (ABEV3) e Caixa Seguridade (CXSE3), o relatório do BTG não justificou o motivo das retiradas.

Em julho, a seleção recuou 0,1%, enquanto o Índice Dividendos (IDIV) avançou 3% e o Ibovespa subiu 3,5%. No acumulado de 2026, contudo, a carteira do BTG registra alta de 13,3%, acima dos 10,2% do IDIV.

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Veja a carteira de dividendos do BTG para agosto

A carteira reúne 12 ações, com as presenças de Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Vale (VALE3), Copasa (CSMG3), Cury (CURY3), Petrobras (PETR4), Copel (CPLE3) e Axia Energia (AXIA3) possuem os maiores pesos, de 10% cada.

EmpresaTickerPesoDY projetado para 2026DY projetado para 2027
Itaú UnibancoITUB410%7,6%6,1%
BradescoBBDC410%9,4%7,5%
ValeVALE310%8,9%7,7%
AllosALOS35%12,8%12,8%
CopasaCSMG310%2,9%6,0%
CuryCURY310%8,7%11,4%
PetrobrasPETR410%8,6%8,7%
CopelCPLE310%8,0%7,2%
EngieEGIE35%3,0%3,5%
TIMTIMS35%11,5%11,3%
CompassPASS35%5,4%9,8%
Axia EnergiaAXIA310%5,1%9,2%

Por que a Compass entrou na carteira?

A Compass estreia na seleção após a abertura de seu capital. A companhia controla ativos regulados de distribuição de gás natural, incluindo a Comgás, em São Paulo.

“Estamos adicionando Compass à carteira por enxergarmos uma combinação atrativa entre previsibilidade, crescimento e valuation. A companhia controla ativos regulados de distribuição de gás natural em algumas das regiões mais industrializadas do país, incluindo a Comgás em São Paulo”, afirmam Bruno Henriques, Marcel Zambello e Bruno Carrenho, analistas do BTG.

Segundo o banco, esses negócios apresentam características de monopólio natural, receitas corrigidas pela inflação e crescimento gradual da base regulatória de ativos.

A tese também considera as operações da plataforma Edge, o terminal de gás natural liquefeito de Santos e os projetos de fornecimento de gás fora da rede de distribuição. Para o BTG, essas frentes acrescentam potencial de crescimento sem comprometer o perfil defensivo da empresa.

O banco projeta dividend yield de 5,4% para a Compass em 2026, com avanço para 9,8% em 2027.

Engie combina previsibilidade e valuation

A Engie foi incluída devido à previsibilidade dos resultados, ao histórico de execução e ao preço das ações. A elétrica possui ativos diversificados e exposição considerada limitada aos riscos regulatórios.

“Estamos incluindo a Engie à carteira por enxergarmos uma combinação de qualidade operacional, previsibilidade de geração de caixa e valuation atrativo. A companhia possui um dos melhores históricos de execução do setor elétrico brasileiro, com portfólio diversificado de ativos e exposição limitada a riscos regulatórios”, destacam os analistas.

Embora a alavancagem possa aumentar temporariamente devido aos projetos em andamento, o BTG avalia que os investimentos oferecem retornos atrativos e poderão contribuir para o crescimento dos resultados nos próximos anos.

Após a correção recente das ações, o banco calcula uma taxa interna de retorno real superior a 9%. Os rendimentos projetados para a Engie são de 3% em 2026 e de 3,5% em 2027, os menores da carteira.

A entrada, portanto, está mais associada à previsibilidade dos resultados, à qualidade operacional e ao potencial de valorização do que ao pagamento imediato de dividendos elevados.

Allos e TIM têm os maiores yields projetados

A Allos (ALOS3) apresenta o maior dividend yield estimado pelo BTG, de 12,8% tanto para 2026 quanto para 2027. A tese considera a previsibilidade das receitas, a geração de caixa e a resiliência dos indicadores operacionais dos shopping centers.

“De modo geral, acreditamos que Allos traz defensividade à carteira, dada a natureza previsível de suas receitas e geração de fluxo de caixa livre, bem como o fato de que as operadoras de shoppings listadas continuam apresentando indicadores operacionais resilientes”, afirma o BTG.

A companhia também anunciou uma projeção de distribuição de dividendos para 2026 que implica rendimento de 12,8%. Na avaliação do banco, o mercado ainda não incorporou completamente ao preço das ações a nova política de distribuição da empresa.

Na sequência aparece a TIM (TIMS3), com rendimentos projetados de 11,5% em 2026 e de 11,3% em 2027. A operadora prevê distribuir entre R$ 5,3 bilhões e R$ 5,5 bilhões aos acionistas neste ano.

Para 2027, a Cury (CURY3) também se destaca, com dividend yield estimado em 11,4%, seguida por Compass, com 9,8%, e Axia Energia, com 9,2%.

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Vale e Copasa ganham mais espaço

A Vale teve seu peso ampliado para 10%. O BTG destaca a geração resiliente de caixa da mineradora e sua capacidade de remunerar os acionistas por meio de dividendos e recompras.

O banco estima um retorno anual ao acionista entre 8% e 9%, considerando as duas formas de distribuição. A tese também contempla o potencial de crescimento da produção de cobre e a recuperação operacional da divisão de metais básicos.

A Copasa também passou de 5% para 10%. A análise considera os efeitos da privatização concluída em junho, com a entrada da Equatorial como acionista de referência por meio de uma participação de 30%.

“Em junho, a Copasa concluiu com sucesso seu processo de privatização, com a Equatorial se tornando a acionista de referência. A Equatorial possui um dos mais fortes históricos de reestruturação corporativa do país, e não esperamos um resultado diferente para a Copasa”, afirma o BTG.

Segundo a análise, a Copasa poderá distribuir 100% de seus lucros diante de uma relação entre dívida líquida e Ebitda próxima de 2,4 vezes. O banco estima dividend yield médio de 7,6% entre 2026 e 2028, com possibilidade de rendimentos de dois dígitos posteriormente.