As ações da PetroReconcavo (RECV3) avançavam 2,09% na manhã desta sexta-feira (7), negociadas a R$ 10,28 às 10h55, após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026.
A reação positiva ocorreu após um resultado considerado bom pelo BTG Pactual e alinhado às estimativas da XP. A alta do petróleo, os preços realizados mais elevados e a melhora da eficiência nas operações de midstream compensaram a produção menor e os custos adicionais com a compra de gás.
A receita líquida atingiu R$ 807,9 milhões, praticamente estável em um ano e 18% superior à registrada no primeiro trimestre. O Ebitda aumentou 6% na comparação anual e 28% na trimestral, para R$ 396,1 milhões.
A margem Ebitda avançou 2,6 pontos percentuais em um ano e 3,7 pontos frente ao trimestre anterior, para 49%. O lucro líquido somou R$ 202,7 milhões, queda anual de 15%, mas crescimento de 64% na comparação trimestral.
Brent e preços realizados impulsionam Ebitda
O preço médio do Brent atingiu US$ 103,85 por barril durante o trimestre, alta de 28% frente ao 1T26. O preço realizado do petróleo pela PetroReconcavo, desconsiderados os instrumentos de proteção, aumentou para US$ 93,57 por barril.
A companhia também conseguiu reduzir os descontos comerciais aplicados ao petróleo produzido no Ativo Potiguar. A melhora ocorreu após aditivos contratuais e a assinatura de um novo acordo de longo prazo com a Brava Energia (BRAV3).
Com isso, a receita obtida com a venda de petróleo cresceu 24% frente ao primeiro trimestre, para R$ 504,6 milhões. A receita de gás natural e derivados aumentou 6%, para R$ 279,2 milhões.
Para Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, do BTG, a combinação entre preços mais altos e ganhos de eficiência explica a recuperação do resultado operacional.
“Os preços mais altos do Brent e os preços realizados, além da melhora da eficiência de custos no midstream, sustentaram o Ebitda, apesar da produção ligeiramente menor”, afirmam os analistas.
O Ebitda ficou ligeiramente abaixo da projeção do BTG, mas próximo do esperado pela casa. A XP também considerou o resultado alinhado às suas estimativas, com diferença negativa de apenas 2%.
Produção menor e hedges limitam resultado
A produção média da PetroReconcavo ficou em 24,1 mil barris de óleo equivalente por dia, queda de aproximadamente 11% em um ano e de 1,1% frente ao primeiro trimestre.
Na Bahia, a produção recuou 2,2% na comparação trimestral, pressionada por manutenções e interrupções no fornecimento de energia. No Ativo Potiguar, os volumes permaneceram praticamente estáveis.
A parada programada de 21 dias na Unidade de Processamento de Gás Natural de Guamaré levou a companhia a comprar gás de terceiros para cumprir os contratos firmes. As aquisições alcançaram 18,3 milhões de metros cúbicos e contribuíram para um aumento trimestral de 13% nos custos e despesas operacionais.
“Os ganhos foram parcialmente compensados por custos mais altos, principalmente pelas maiores compras de gás de terceiros durante a parada programada para manutenção da UPGN de Guamaré”, afirmam Regis Cardoso e Enzo Sozzi, da XP.
O custo de extração, ou lifting cost, aumentou de US$ 15,80 para US$ 16,80 por barril de óleo equivalente. Segundo o BTG, a elevação também refletiu a produção menor e a valorização do real.
Os instrumentos de proteção limitaram a captura integral da valorização do petróleo. A liquidação de contratos de NDF gerou efeito negativo de R$ 89,3 milhões na receita, envolvendo 546 mil barris contratados a um preço médio de US$ 64,54.
Ao final do trimestre, os hedges cobriam aproximadamente 4,6 milhões de barris, abaixo dos 5,5 milhões registrados no primeiro trimestre. O volume ainda corresponde a cerca de 55% da produção de petróleo projetada para os próximos 12 meses.
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Junto com o balanço, a PetroReconcavo aprovou R$ 100 milhões em juros sobre o capital próprio, equivalentes ao valor bruto de R$ 0,340736 por ação.
O pagamento será realizado em 27 de agosto. Terão direito ao provento os investidores com ações da companhia no fechamento do pregão de 17 de agosto, e os papéis passarão a ser negociados sem direito ao valor a partir do dia 18.
Considerando a cotação de R$ 10,07 utilizada como referência pelos analistas, o pagamento representa um retorno bruto de aproximadamente 3,4%. A companhia já havia distribuído outros R$ 100 milhões em juros sobre o capital próprio em maio.
A dívida líquida terminou junho em R$ 1,36 bilhão, enquanto a alavancagem permaneceu controlada em 1,01 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda. O BTG calculou fluxo de caixa livre para os acionistas de R$ 80 milhões, próximo de sua estimativa de R$ 87 milhões.
Apesar do trimestre positivo, o banco manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12 para RECV3. O valor representa potencial de valorização de 19,2% frente aos R$ 10,07 utilizados no relatório.
Para o BTG, a alta do Brent continuará sendo parcialmente limitada pelos hedges, enquanto a ausência de gatilhos relevantes no curto prazo restringe uma visão mais otimista para as ações.
“Continuamos vendo a tese dependente de uma recuperação da produção no segundo semestre de 2026 e em 2027, de melhores preços nos contratos de gás e de uma possível aceleração do programa de workovers”, afirmam Almeida e Cunha.
A Genial também considera a produção o principal ponto de atenção. Embora mantenha preço-alvo de R$ 16,50 para RECV3, a casa avalia que a companhia precisará equilibrar a disciplina de capital com investimentos suficientes para estabilizar os volumes dos campos maduros.







