A WEG (WEGE3) vê espaço para acelerar gradualmente o crescimento nos próximos anos, apoiada pela expansão da capacidade produtiva, pelo avanço no mercado de transformadores e pelo aumento da exposição ao setor de data centers. Apesar das perspectivas positivas, a companhia também começa a considerar um cenário macroeconômico brasileiro mais desafiador em 2027.
A avaliação é da XP, que se reuniu com a equipe de relações com investidores da WEG durante a XP CEO Conference 2026, no Rio de Janeiro. Para a casa, as discussões reforçaram a expectativa de crescimento gradual e de margens resilientes, mesmo diante dos impactos persistentes das tarifas.
Um dos principais pontos levantados foi o avanço da nova capacidade de transmissão e distribuição (T&D) da companhia. A unidade de Betim já iniciou a produção, mas o processo de expansão deve ser gradual, com o ramp-up completo levando entre 12 e 18 meses. Com isso, a contribuição mais relevante para as receitas é esperada a partir de 2027.
No curto prazo, a expectativa é de que ações de preços e ganhos de eficiência operacional ajudem a compensar parte dos efeitos negativos das tarifas. Com isso, a rentabilidade tende a permanecer próxima dos níveis registrados no segundo trimestre de 2026.
Data centers ganham espaço nos negócios
Outro destaque foi o avanço da WEG no mercado de data centers, tanto de forma direta quanto indireta. Além dos alternadores, que já são uma das principais portas de entrada da companhia nesse segmento, a empresa vem ampliando sua exposição por meio de transformadores e motores utilizados em sistemas de resfriamento e ventilação.
Segundo a XP, cerca de 20% dos pedidos atuais de transformadores da WEG nos Estados Unidos já estão relacionados a data centers. Uma parcela relevante da demanda da Marathon, empresa adquirida pela companhia, também está ligada a sistemas de energia de backup.
A expectativa é de que os alternadores ganhem espaço no portfólio da Marathon, favorecendo a rentabilidade por meio de ganhos de escala, sinergias e da integração ao modelo verticalizado da WEG.
Mais espaço no mercado de transformadores
No mercado doméstico, a companhia também vem fortalecendo sua posição no segmento de T&D. A leitura é de que a concentração de concorrentes globais em oportunidades de exportação e na demanda dos Estados Unidos pode abrir espaço para a WEG conquistar participação no Brasil.
A companhia indicou que atualmente ocupa posições de liderança em boa parte das principais categorias de transformadores de transmissão.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o desempenho da economia brasileira em 2027. Negócios de ciclo mais curto tendem a sentir primeiro uma eventual desaceleração, enquanto as operações de ciclo mais longo continuam apoiadas por carteiras de pedidos consideradas saudáveis.
Nesse cenário, a WEG avalia que uma eventual fraqueza do mercado doméstico poderia ser parcialmente compensada pela exposição internacional da companhia. Um real mais depreciado, por exemplo, tende a favorecer uma empresa com forte presença exportadora.
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