A JHSF (JHSF3) encerrou o 2º trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 386 milhões, valor 50% superior ao que a XP Investimentos projetava para o período.
O número exclui R$ 58 milhões de valorização a valor justo das propriedades para investimento. Mesmo sem esse efeito contábil, o resultado ficou acima da estimativa da casa em todas as linhas principais.
A receita líquida consolidada somou R$ 935 milhões, alta de 89% na comparação anual e 21% acima da projeção da XP. O Ebitda ajustado chegou a R$ 503 milhões, mais que o dobro de um ano antes.
Boa Vista Estates muda a escala do trimestre
O gatilho está na incorporação imobiliária. O reconhecimento de parte da primeira parcela da venda do estoque do Boa Vista Estates para um fundo imobiliário levou a receita do segmento a R$ 561 milhões, alta de 238%.
O Ebitda ajustado da divisão avançou 222%, para R$ 346 milhões. Restam R$ 1,700 bilhão de receita ainda a ser reconhecida, o que dá visibilidade aos trimestres seguintes.
“A surpresa positiva foi impulsionada principalmente pelo desempenho acima do esperado da incorporação imobiliária e por um resultado tributário favorável”, escreveu Ygor Altero, head do setor imobiliário da XP Investimentos.

Renda recorrente cresce 30% e sustenta a tese
Fora do efeito pontual da venda de estoque, os negócios de renda recorrente cresceram 30% em receita líquida e 31% em Ebitda ajustado. É esse conjunto que a XP usa para justificar a diversificação do grupo.
Nos shoppings, a receita líquida subiu 10%, para R$ 94 milhões. O aluguel nas mesmas lojas, indicador conhecido pela sigla SSR, avançou 10,7%, enquanto as vendas dos lojistas cresceram 6%.
As vendas nas mesmas lojas (SSS) ficaram em 5,7% e as vendas na mesma área (SAS), em 6,4%. A taxa de ocupação seguiu em 98,2%, com custo de ocupação de 8,4%.
O Ebitda ajustado do segmento somou R$ 57 milhões, alta de 7%. A margem, contudo, recuou 190 pontos-base, para 60,6%, pressionada pela menor participação da companhia em determinados ativos.
Aeroportos crescem 55% com troca de composição
A receita líquida de aeroportos saltou 55%, para R$ 100 milhões. Contribuíram as vendas de combustível de aviação, as operações de táxi-aéreo, o Catarina Aviation Show e a consolidação da BYS e da Embassair.
O Ebitda ajustado do segmento subiu 26%, para R$ 56 milhões. A margem, no entanto, caiu 12,8 pontos percentuais, para 56%, porque combustível e táxi-aéreo rendem menos que a operação original de aviação executiva.
Hotelaria ganha margem com maturação de ativos
Em hospitalidade e gastronomia, a receita líquida cresceu 5%, para R$ 120 milhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 17%, para R$ 27 milhões.
A margem ganhou 230 pontos-base, para 22,6%, sustentada pela maturação dos ativos, por receitas de branding e por melhor controle de custos. A receita por quarto disponível (RevPAR) subiu 7,3%, mas o número de couverts, que mede as refeições servidas nos restaurantes, recuou 5,9%.
Residências e clubes quase dobram de tamanho
Residências e clubes registraram receita líquida de R$ 74 milhões, alta de 90%, e Ebitda ajustado de R$ 52 milhões, avanço de 75%. Unidades adicionais para locação e vendas de títulos explicam parte do salto.
A maturação do Fasano Tennis Club e do São Paulo Surf Club completa a conta. Somados, os negócios recorrentes ajudaram a companhia a entregar margem consolidada de 53,7%, 560 pontos-base acima do que a XP esperava.
“O crescimento abrangente dos negócios recorrentes reforça o modelo de negócios diversificado e a flexibilidade financeira da companhia”, apontou João Rodrigues, analista do setor imobiliário da XP.
O que fica para os próximos trimestres é a régua de comparação. Com R$ 1,700 bilhão de receita ainda por reconhecer no Boa Vista Estates, a base de 2026 sobe, e o crescimento recorrente passa a ter de sustentar sozinho a narrativa.






