O setor de telecomunicações brasileiro entrou em uma nova fase de turbulência competitiva. Após resultados do segundo trimestre de 2026 mais fracos do que o esperado e sinais de intensificação da disputa no mercado móvel, o Bradesco BBI revisou seus modelos para o setor e reduziu os preços-alvo de Vivo (VIVT3) e Tim (TIMS3). O banco mantém recomendação neutra para ambas as ações.
O preço-alvo da Vivo foi reduzido de R$ 39 para R$ 36, enquanto o da Tim recuou de R$ 26 para R$ 23. As revisões refletem estimativas menores de crescimento da receita de serviços móveis e margens, além de maiores despesas financeiras e de depreciação. Os preços-alvo foram rolados para 2027.
Dilema do prisioneiro
O Bradesco BBI descreve o atual momento do setor como um “dilema do prisioneiro” — conceito da teoria dos jogos em que cada participante age de forma defensiva, temendo ser prejudicado caso tome a iniciativa de cooperar.
Na prática, nenhuma das operadoras quer ser a primeira a aumentar os preços por medo de perder participação de mercado para as rivais.
Esse cenário foi agravado pelo avanço agressivo da NuCel, braço de telecomunicações do Nubank, que na prática recriou um mercado de quatro competidores relevantes no Brasil — Vivo, Tim, Claro e NuCel.
A presença de um quarto player relevante dificulta ainda mais qualquer movimento coordenado de recomposição de preços, ampliando a pressão sobre as margens das operadoras incumbentes.
Visibilidade limitada trava o upside
Apesar dos múltiplos atrativos — próximos às mínimas históricas —, o Bradesco BBI avalia que a falta de visibilidade sobre o crescimento da receita e o ambiente competitivo acirrado limitam o potencial de valorização das ações no curto prazo.
O banco alerta que, se o crescimento da receita de serviços móveis cair para a casa de um dígito baixo, a tese de investimento do setor perderá atratividade de forma relevante para os investidores.
O cenário reforça a leitura de cautela dos analistas em relação ao setor, que enfrenta simultaneamente a pressão competitiva da NuCel, a resistência das operadoras em liderar reajustes de preços e o impacto da reforma tributária — que deve elevar a carga de impostos sobre vendas de Tim e Vivo em 2027.
Enquanto esses fatores não se resolverem, o Bradesco BBI prefere manter postura neutra para os dois papéis.






