Dona da Casas Bahia e Ponto, a Via (VIIA3) informou na tarde desta sexta-feira que o vice-presidente de inovação digital, Helisson Brigido Andrade Lemos, apresentou sua renúncia.
Ele era considerado uma peça-chave no organograma da companhia e sua saída vem um dia após a empresa repórter prejuízo de R$ 163 milhões no quarto trimestre de 2022.
Ainda assim, segundo a empresa, ele permanecerá prestando serviços ao grupo como consultor nos processos de inovação.
Por volta das 14h desta sexta-feira (10), a ação VIIA3 recuava 6,19%, cotada a R$ 1,82. O ativo já reporta queda de 44,34% no período de um ano.
O movimento da ação mostra o quanto a companhia – e o setor varejista – tem sido pressionados na bolsa de valores por conta de inúmeros fatores.
Primeiramente, a pandemia de covid-19 atingiu em cheio o setor, em fevereiro de 2020, e nos meses seguintes obrigou o fechamento das lojas físicas.
Por conta disso, as redes foram obrigadas a reforçarem suas operações no ambiente digital e elas se superaram.
Ainda assim, nenhuma alcançou uma posição confortável em 2021 e 2022, conforme o próprio balanço corporativo pode indicar, e o digital ganhou ainda mais peso em suas operações.
Em relação aos resultados da Via, no acumulado de 2022 o prejuízo subiu 15,2% ao marcar R$ 342 milhões contra os 297 milhões do acumulado de 2021.
Já a receita líquida subiu 8,8% ao alcançar R$ 8,8 bilhões contra os R$ 8,1 bilhões do quarto trimestre de 2021. No acumulado de 2022, a receita ficou estável em R$ 30,8 bilhões.
O Ebitda ajustado, por sua vez, recuou 1,9% no período ao marcar R$ 629 milhões contra os R$ 641 milhões do quarto trimestre de 2021.
No acumulado de 2022, o indicador subiu 74,1% ao alcançar R$ 2,3 bilhões contra o R$ 1,3 bilhão do acumulado de 2021.

Via (VIIA3): abertura de lojas
A Via reforça o digital, mas aposta no tradicional e promete inaugurar 10 lojas físicas este ano, segundo o presidente da empresa, Roberto Fulcherberguer.
Em videoconferência de resultados, a rede pretende manter sua estratégia de segurar o ritmo de abertura de novos pontos.
Segundo ele, o potencial para abertura de lojas no ano seria entre 60 e 80.
Varejistas pressionadas
Concorrente direta da Via, o Magazine Luiza obteve prejuízo líquido de R$ 35,9 milhões no quarto trimestre de 2022 (4TRI22).
Vale lembrar que no quarto trimestre de 2021 o lucro havia sido de R$ 93 milhões. Em termos ajustados, o prejuízo foi de R$ 15,2 milhões, queda de 80,8% na comparação anual.
A empresa cuja origem se deu em Franca, no interior paulista, também reforçou suas operações digitais no período da pandemia e, na ocasião, informou que tinha recursos para segurar meses sem a necessidade de promover demissões. A afirmação animou os mercados.
Porém, a partir de 2021 a rede viu suas ações declinarem, o que gerou instabilidade interna. Um dos efeitos é uma reclamação por parte dos fundadores do Kabum que receberam dinheiro e ações da varejista para concluírem a venda da plataforma de jogos online.
Assim, agora no início de 2023, com as ações derretendo, eles se insurgiram contra a empresa, pedem o cancelamento da venda e apontam o Itaú Unibanco (ITUB4) como um dos culpados pela intermediação que promoveu para o fechamento do negócio.
Nesta sexta, por volta das 14h, a ação MGLU3 recuava 1,77%, cotada a R$ 3,33. O ativo reporta queda de 44,13% no período de um ano. Entretanto, poucos anos atrás o papel chegou a ultrapassar os R$ 100.
Caso mais emblemático
O caso mais emblemático do mau momento vivido pelas varejistas é o da Americanas (AMER3), empresa envolvida em suposta fraude contábil. Nos primeiros 40 dias de 2023 a empresa foi do céu ao chão por conta de um rombo da ordem de R$ 20 bilhões em seus balanços.
Atualmente, a companhia está em recuperação judicial no Brasil e nos EUA, tem mais de R$ 47 bilhões em dívidas e se encontra em uma negociação que não avança com seus principais credores: os bancos.
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