O Banco Safra adota uma visão otimista para a bolsa brasileira em 2026 — e o principal argumento não é político. Em análise recente, o banco projeta o Ibovespa a 254.000 pontos, valorização de 38%, no cenário otimista e deixa claro que, para o mercado financeiro, a trajetória da Selic importa muito mais do que o calendário eleitoral. O cenário-base é de 198.938 pontos.
A base histórica sustenta o otimismo.
“Nos seis meses que precedem um ciclo de afrouxamento, o Ibovespa se valorizou em 67% das vezes, com alta média de 11%”, aponta o Safra.
O dado mais expressivo, porém, vem do período seguinte: “nos seis meses após o início dos cortes de juros, o mercado subiu em 100% das vezes, com ganho médio de 22,6%.”
Em doze meses, a valorização média foi de 38,6% – com apenas uma exceção, em 2011, quando os cortes ocorreram sem sustentação nos fundamentos.
O presente já replica esse padrão.
“O Ibovespa acumulou alta de 16,5% nos últimos seis meses, desempenho alinhado à média histórica do período que antecede os cortes de juros”, observa o banco.
O próximo passo, segundo o Safra, será uma nova reprecificação das ações quando os cortes efetivamente começarem.
Macroeconomia
As projeções macroeconômicas do banco reforçam o cenário favorável.
“Para 2026, estimamos crescimento do PIB de 1,6%, inflação de 3,7% e Selic a 11,5% ao fim do ano. Para 2027, projetamos PIB de 2,2%, inflação de 3,0% e Selic a 9,5%”, detalha o Safra. Com isso, o P/E projetado para o Ibovespa em 2027 ficaria em 7,6 vezes — “cerca de 23,2% abaixo da média histórica, sugerindo espaço para ganhos contínuos.”
No cenário otimista, o banco assume queda de 80 pontos-base no custo de capital próprio, para 13,5%, e crescimento de longo prazo de 8,9%.
“Com isso, chegamos a um P/E-alvo de 12,0x”, explica o Safra.
Aplicando esse múltiplo aos lucros estimados para 2027, o resultado é o índice a 254.000 pontos até o fim de 2026 — um upside expressivo a partir dos níveis atuais e um convite para o investidor posicionar-se antes que o ciclo de cortes ganhe tração.






