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Mercado não deve se preocupar com o prejuízo da Prio, alerta XP

Mercado não deve se preocupar com o prejuízo da Prio, alerta XP

Resultado foi impactado por maior depreciação e impostos diferidos como resultado da desvalorização do real, explicam os analistas

A Prio (PRIO3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados operacionais sólidos, um marco histórico se aproximando e uma virada clara de cenário em relação ao período mais turbulento do ano. Para os analistas Régis Cardoso e João Rodrigues, da XP Investimentos, o relatório confirma a tese de investimento — e a recomendação de compra com preço-alvo de R$ 64 por ação segue intacta.

“O Ebida ajustado de US$324 milhões ficou em linha com nossas estimativas, com alta de 2% frente ao esperado”, apontam os analistas.

O resultado cresceu 7% em relação ao trimestre anterior, mesmo com o Brent mais fraco — US$63 por barril no 4T25, queda de 7,5% frente aos US$68 do 3T25.

O que compensou foram os volumes de vendas significativamente maiores e, principalmente, a queda expressiva no lifting cost.

“A redução sequencial no custo de extração para US$12,5 por barril representa queda de 28% em relação ao trimestre anterior — o menor nível registrado em 2025”, destacam Cardoso e Rodrigues.

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Prejuízo trimestral

O prejuízo líquido de US$ 185 milhões – bem acima dos US$ 37 milhões estimados pela XP – não deve preocupar.

“O resultado foi impactado por maior depreciação e impostos diferidos como resultado da desvalorização do real”, explicam os analistas, ressaltando que o efeito é contábil, não operacional.

O evento mais aguardado da tese está prestes a acontecer.

“A Prio recebeu a Licença Operacional do IBAMA e está finalizando o comissionamento do tie-back de Wahoo — o primeiro óleo poderá chegar nos próximos dias”, afirmam Cardoso e Rodrigues.

A produção começará com dois poços; o terceiro será conectado nas próximas semanas e o quarto até o final de abril, com média esperada de 10 mil barris por dia por poço.

A Peregrino, que amargou nove semanas de paralisação após interdição da ANP em agosto, ficou para trás.

“As paralisações ficaram no passado e Peregrino está produzindo em torno de sua capacidade nominal de 100 mil barris por dia”, ressaltam os analistas.

Com o Brent acima de US$ 80 em março de 2026 e a aquisição dos 40% da Peregrino praticamente concluída, o cenário para remuneração ao acionista também mudou.

“A administração da PRIO se comprometeu a estabelecer uma política de dividendos ainda em 2026”, concluem Cardoso e Rodrigues — sinalizando que a fase de investimentos intensos está dando lugar à fase de retorno ao investidor.