O setor de transportes deve ter temporada de resultados desigual no primeiro trimestre de 2026, com a Embraer (EMBJ3) como principal destaque positivo e Marcopolo (POMO4), Fras-le (FRAS3), Randoncorp (RAPT4) e Ecorodovias (ECOR3) como os pontos de atenção negativa.
Os analistas Lucas Barbosa, Gabriel Tinem e Victor Tani, do Santander, atualizaram os modelos de oito empresas do setor e revisaram preços-alvo, incorporando as expectativas para o trimestre.
“Acreditamos que os resultados podem ser um catalisador positivo para a Embraer, enquanto negativos para Marcopolo, Fras-le, Randoncorp e Ecorodovias”, afirmam os analistas.
Embraer surpreende; indústria pressiona
A Embraer segue em momento favorável.
“Para a Embraer, esperamos que o volume positivo leve a uma surpresa de 2% no EBIT e a uma boa geração de fluxo de caixa livre”, destacam Barbosa, Tinem e Tani.
O Santander elevou o preço-alvo da fabricante de aeronaves de R$ 120,40 para R$ 126, mantendo recomendação de outperform (compra).
No lado negativo, a Marcopolo deve enfrentar volumes pressionados e mix de exportações menos favorável.
“Acreditamos que volumes pressionados devem impactar as margens no trimestre, juntamente com um menor mix de exportações, embora parcialmente compensado pelo impacto positivo da NFI”, apontam os analistas.
Para a Randoncorp, a demanda ainda fraca por implementos rodoviários e a sazonalidade negativa em autopeças devem resultar em trimestre abaixo do consenso — apesar da recuperação de margens esperada na comparação trimestral.
A Fras-le também deve decepcionar.
“O início fraco do ano, impactado pela mudança nos sistemas operacionais e pelas alterações no centro de distribuição de Extrema, deve afetar os volumes e levar a níveis de rentabilidade abaixo do esperado”, explicam os analistas.
(Imagem: Divulgação/ Motiva)
Neutros
Para Localiza (RENT3), Rumo (RAIL3) e Motiva (MOTV3), o Santander projeta reação neutra do mercado.
“Para a Localiza, esperamos melhora sequencial de 3% no lucro líquido com melhor qualidade dos resultados, mas acreditamos que a reação deve ser neutra pelo elevado posicionamento de investidores locais e pela recente alta das ações”, detalham Barbosa, Tinem e Tani.
Entretanto, a Ecorodovias é o caso mais preocupante entre as concessões.
“A menor tarifa média deve mais do que compensar o crescimento de tráfego, resultando em Ebitda abaixo do consenso”, concluem os analistas — que, apesar das revisões para baixo em vários preços-alvo, mantiveram recomendação de outperform (compra) para todas as oito empresas cobertas no relatório.