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Veja 8 ações “bond proxies”, segundo o Bank of America

Veja 8 ações “bond proxies”, segundo o Bank of America

Preferência recai sobre nomes menos alavancados e com gatilhos micro, enquanto shoppings e telecom perdem atratividade

O Bank of America passou a adotar uma visão mais cautelosa para os chamados “bond proxies” – que se comportam como títulos de renda fixa – no Brasil, refletindo a combinação de um cenário externo menos favorável e estímulos domésticos que pressionam a dinâmica de juros.

O banco revisou para cima suas estimativas para a Selic, para 14,25% no fim de 2026 e 13,25% em 2027, em meio a expectativas mais duras para a política monetária americana, fortalecimento do dólar e menor apetite global por risco.

Nesse contexto, a América Latina tem ficado para trás em relação a outros mercados, enquanto teses ligadas a tecnologia seguem dominando o fluxo internacional. A recomendação passa a priorizar ativos com menor alavancagem e menor duração de fluxo de caixa, mais resilientes em um ambiente de juros elevados por mais tempo.

Preferência por utilidades e transporte com gatilhos micro

Dentro do universo de utilidades, o banco mantém visão construtiva, mas com maior seletividade. A Axia Energia (AXIA3) se destaca pelo valuation considerado atrativo e potencial de valorização com preços de energia mais elevados, negociando abaixo das estimativas da casa e oferecendo taxa interna de retorno real relevante.

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A Eneva (ENEV3) também figura entre as preferidas, apoiada por revisões positivas de resultados, crescimento consistente e expectativa de expansão impulsionada por maior despacho térmico e trading de gás natural. A Equatorial (EQTL3) aparece como opção adicional, com assimetria ligada à compressão de taxas no longo prazo e opcionalidade em fusões e aquisições.

No segmento de transportes, a Motiva (MOTV3) surge como principal escolha, sustentada pela combinação de valuation atrativo, baixa alavancagem e menor duração de fluxo de caixa, o que reduz sensibilidade a juros mais altos.

A Ecorodovias (ECOR3) também apresenta retorno potencial elevado, mas o nível de endividamento e o volume significativo de investimentos contratados diminuem a atratividade em um cenário macro mais desafiador.

Já a Rumo (RAIL3) depende de uma inflexão no ciclo de grãos para destravar valor, com timing ainda incerto e pressão de capex no curto prazo.

Shoppings e telecom oferecem pior relação risco-retorno

O Bank of America mantém visão mais negativa para shoppings e telecomunicações, avaliando que ambos os segmentos apresentam poucos catalisadores no curto prazo. Para shoppings, a expectativa é de desempenho moderado, pressionado pelo ambiente macro, crescimento limitado de receitas e ausência de revisões positivas de lucros.

A Allos (ALOS3) é a principal exceção, com destaque para o elevado rendimento de dividendos, enquanto Iguatemi (IGTI11) tende a mostrar maior resiliência por sua exposição ao consumo de alta renda.

No setor de telecom, a recomendação segue negativa para a Telefônica Brasil (VIVT3) e a TIM Brasil (TIMS3). Mesmo após a recente queda das ações, o banco avalia que os valuations continuam exigentes e já incorporam um cenário bastante construtivo, com crescimento de receita, estabilidade de margens e menor intensidade de investimentos.

Com isso, o espaço para surpresas positivas é limitado, ampliando o risco de revisões negativas em caso de frustração operacional.