Vale vê custos mais altos, mas lucro pode ser maior ainda
Mineradora incorpora impacto do conflito no Oriente Médio nas estimativas de minério de ferro, com preço do insumo subindo de US$ 102 para US$ 112 por tonelada nas premissas da companhia
A Vale (VALE3) atualizou nesta terça-feira (12) suas estimativas para 2026, incorporando os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o negócio de minério de ferro e divulgando novas sensibilidades para o segmento de níquel.
O movimento acontece dias antes de uma conferência de concorrentes e reforça a visão construtiva do BTG Pactual sobre a mineradora, que mantém recomendação de compra para as ações.
Oriente Médio muda o jogo para o minério de ferro
A revisão das premissas da Vale reflete uma mudança significativa no cenário macroeconômico. O preço do minério de ferro nas projeções da companhia saltou de US$ 102 para US$ 112 por tonelada após o conflito no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que o petróleo Brent subiu de US$ 67 para US$ 104 por barril e o real apreciou de R$ 5,27 para R$ 4,90 por dólar.
“A Vale agora espera um ganho de aproximadamente US$ 1,5 bilhão no fluxo de caixa livre de 2026, impulsionado principalmente por um EBITDA US$ 1,2 bilhão mais alto, além de US$ 425 milhões em ganhos com hedge cambial e de combustível, parcialmente compensados por um aumento de US$ 0,1 bilhão no capex de manutenção”, explicam os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, do BTG Pactual.
(Imagem: Divulgação/ Vale)
Custos sobem, mas lucros sobem mais
O BTG reconhece as pressões de custo, mas inverte a narrativa dominante no mercado.
“Enquanto os investidores permanecem focados nos riscos de inflação de custos, nós caminhamos na direção oposta, elevando nossas estimativas de EBITDA para 2026–2028, já que o efeito mark-to-market do minério de ferro acima de US$ 110, do cobre em máximas históricas a US$ 14 mil por tonelada e do níquel em recuperação a US$ 19 mil mais do que compensa as pressões de custo”, afirmam Correa, Arazi e Gotardo.
Para os analistas, a inflação de frete e combustível está, paradoxalmente, beneficiando a Vale. “A inflação de custos está empurrando a curva de custos da indústria para cima, mas isso tem sustentado os preços, gerando, em última análise, um impacto líquido positivo nos lucros da Vale”, destacam.
Cobre e posicionamento competitivo reforçam tese
Além do minério de ferro, o BTG chama atenção para o potencial ainda não precificado do cobre.
“O mercado está apenas começando a incorporar a opcionalidade de crescimento no cobre — cerca de 500 mil toneladas no longo prazo, contra 380 mil anteriormente —, o que estimamos poder adicionar cerca de 10% ao valor de mercado da companhia”, apontam os analistas.
A Vale também se diferencia dos concorrentes pela proteção financeira. Contratos de frete e instrumentos de hedge atenuam as pressões ligadas ao petróleo, enquanto os yields de fluxo de caixa seguem com prêmio de cerca de quatro pontos percentuais sobre os pares australianos.
“Continuamos a ver risco de revisão para cima nos lucros, com os preços das commodities acima do consenso e a inflação de custos amplamente administrável”, concluem Correa, Arazi e Gotardo.
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