A Ativa Investimentos avaliou que a Vale (VALE3) apresentou um resultado operacional sólido no segundo trimestre de 2026, impulsionado pelo aumento dos volumes e pelos preços realizados das commodities. No entanto, a corretora destacou que a pressão dos custos continua sendo o principal fator de preocupação para a mineradora, mantendo recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 92.
Segundo a análise, o Ebitda proforma da Vale somou US$ 4,1 bilhões entre abril e junho, alta de 19% na comparação anual e de 4% em relação ao trimestre anterior, desempenho ligeiramente acima das projeções da Ativa. Já o Ebitda ajustado ficou em US$ 3,7 bilhões, cerca de 6% abaixo da estimativa da casa.
A corretora ressaltou, porém, que essa diferença foi explicada por despesas não recorrentes de US$ 289 milhões, e não por uma deterioração das operações da companhia.
Minério de ferro: custos operacionais acima do esperado
No segmento de Soluções de Minério de Ferro, principal negócio da Vale, o Ebitda alcançou US$ 3,1 bilhões, crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O preço realizado do minério fino ficou em US$ 95 por tonelada, em linha com as expectativas.
Por outro lado, os custos operacionais vieram acima do esperado. O custo caixa C1 atingiu US$ 24,1 por tonelada, enquanto o custo all-in ficou em US$ 61,6 por tonelada. Para a Ativa, esse desempenho confirma que os custos seguem pressionando a rentabilidade da mineradora.
A Vale também revisou suas projeções de custos para 2026. O guidance do C1 passou para uma faixa entre US$ 22,5 e US$ 23,5 por tonelada, enquanto o custo all-in foi ajustado para um intervalo entre US$ 58 e US$ 62 por tonelada.
O principal destaque positivo do trimestre foi a divisão Vale Metais Básicos. O segmento registrou Ebitda de US$ 1,3 bilhão, um salto de 79% frente ao mesmo período de 2025, impulsionado pela valorização dos preços do cobre e do níquel. Os preços realizados alcançaram US$ 14.062 por tonelada para o cobre e US$ 18.061 por tonelada para o níquel.
Além disso, a unidade gerou US$ 545 milhões de fluxo de caixa livre, reforçando a contribuição dos metais básicos para os resultados consolidados da companhia.
A geração de caixa da Vale também permaneceu robusta. O fluxo de caixa livre atingiu US$ 1,5 bilhão no trimestre, reduzindo a dívida líquida expandida para US$ 16,7 bilhões e abrindo espaço para a distribuição de US$ 1,7 bilhão em proventos aos acionistas.
Apesar do desempenho operacional consistente e da forte geração de caixa, a Ativa optou por manter uma postura cautelosa em relação à companhia. Na avaliação da corretora, a combinação entre custos ainda elevados e a revisão para cima das projeções de despesas limita um potencial mais positivo para as ações no curto prazo, justificando a manutenção da recomendação neutra e do preço-alvo de R$ 92 por ação.
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