As empresas de energia elétrica devem apresentar crescimento operacional no segundo trimestre de 2026, mas os resultados ainda tendem a ficar abaixo das expectativas do mercado. Essa é a avaliação do banco Safra, que destaca um cenário de demanda aquecida por eletricidade, compensado por desafios como cortes na geração renovável (curtailment), menor produção eólica e aumento da inadimplência em parte do setor.
Na prévia de resultados, o Safra afirma que praticamente todos os segmentos devem registrar expansão do Ebitda na comparação anual, embora o desempenho não seja suficiente para superar as projeções dos analistas. Entre as companhias sob cobertura, a Energisa aparece como o principal destaque positivo do trimestre, enquanto Auren (AURE3) e Engie (EGIE3) devem divulgar os resultados mais fracos, pressionadas pela menor geração de energia dos parques eólicos e pelos efeitos do curtailment.
O banco destaca que o principal fator favorável para as empresas de energia elétrica continua sendo o crescimento do consumo. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que a demanda por eletricidade aumentou 3% entre abril e maio na comparação anual, enquanto o mercado cativo registrou alta de 2,4%.
Consumo de residências como motor de crescimento
O avanço foi puxado principalmente pelos consumidores residenciais e comerciais. O consumo nas residências cresceu 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelas temperaturas mais elevadas, que elevaram o uso de aparelhos de climatização, além de ciclos de faturamento mais longos em algumas distribuidoras. Já o segmento comercial apresentou expansão de 5,3%.
Regionalmente, o melhor desempenho foi observado no Sul, com crescimento de 5,6%, seguido pelas regiões Norte, com alta de 5,1%, e Sudeste/Centro-Oeste, com avanço de 3,2%. Segundo o Safra, esse cenário deve favorecer principalmente distribuidoras como Copel e Energisa.
Apesar da demanda aquecida, o banco alerta para fatores que continuam pressionando as geradoras. A hidrologia apresentou leve melhora em relação ao ano passado, atingindo 72% da média histórica, enquanto o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) caiu 4,7% na comparação anual, para R$ 206,40 por megawatt-hora.
Outro ponto de atenção é o aumento do curtailment — redução compulsória da geração por limitações do sistema elétrico. O Safra estima que os cortes tenham alcançado, em média, 19% no trimestre, acima dos 15% registrados um ano antes. As usinas solares devem ter sido as mais afetadas, com cortes próximos de 27%, enquanto os parques eólicos enfrentaram redução estimada em 17%.
Esse cenário, aliado à queda de 39% da geração eólica no Sistema Interligado Nacional (SIN), deve impactar empresas com forte exposição à fonte dos ventos, como Auren, Engie e CPFL Energia (CPFE3).
Nas distribuidoras, o banco espera resultados sólidos, sustentados pelo aumento do consumo, embora a inadimplência possa limitar parte da expansão das margens. Já as transmissoras devem ser beneficiadas pela inflação e pelo início da operação de novos projetos, além da expectativa de anúncios de pagamento de juros sobre capital próprio.
Para o Safra, o segundo trimestre reforça um cenário de recuperação gradual para as empresas de energia elétrica, mas também evidencia que fatores operacionais, especialmente no segmento de geração renovável, continuam limitando uma melhora mais consistente dos resultados do setor.






