O Safra manteve a recomendação neutra para as ações da Usiminas (USIM5) e cortou o preço-alvo de R$ 9,20 para R$ 8,30 por ação, referente ao fim de 2027. O incômodo do banco está no descolamento entre o papel e o negócio.
A ação acumula alta de 26% desde meados de agosto, período em que os preços do aço caíram, os custos de insumos subiram de forma relevante e o real ficou relativamente estável.
“Na nossa visão, a ação negociou com base em notícias sobre uma deslistagem e muito mais próxima do desempenho do Ibovespa do que dos fundamentos do próprio mercado, já que não houve revisão positiva de lucros que justificasse a reprecificação”, apontam Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, analistas do Safra.
A recomendação não foi rebaixada para venda por duas razões. Há espaço para os custos normalizarem, e medidas de proteção à siderurgia local podem sair. Se os insumos voltarem aos níveis de meio de ciclo, a companhia poderia entregar um Ebitda normalizado de cerca de R$ 3,5 bilhões, 30% acima do projetado para 2026.
As contas que separam o banco do consenso
As estimativas do Safra apontam Ebitda de R$ 2,700 bilhões em 2026 e R$ 2,600 bilhões em 2027, o que representa 17% abaixo do consenso para o próximo ano. A convergência com o mercado só ocorreria no segundo semestre de 2027.
O modelo já trabalha com custos abaixo do praticado hoje. O carvão metalúrgico está a US$ 41 por tonelada no mercado à vista, 18% acima do que o banco usa, e o frete marítimo, a US$ 42 por tonelada, 19% acima.
“Se as condições de mercado não normalizarem, com o conflito no Irã continuando a pressionar o frete marítimo e fatores de oferta mantendo o carvão metalúrgico elevado, veríamos o Ebitda do grupo 26% abaixo do consenso, em R$ 2,300 bilhões”, observam Monegaglia e Isidoro. Nesse cenário, a mineração ficaria negativa em R$ 192 milhões e o aço cairia 13%, para R$ 2,530 bilhões.
O contrato automotivo no centro da conta
Parte relevante da projeção depende da renegociação do contrato com as montadoras, marcada para janeiro e abril, na qual o banco assume aumento de preço de 5% na comparação anual. O ambiente, porém, não ajuda: as importações chinesas vêm ganhando participação e os estoques estão em 128 dias de venda.
“Nossa conclusão é que as siderúrgicas podem ter dificuldade em garantir um aumento de preço consistente com o que a precificação da distribuição sugeriria”, projetam Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, analistas do Safra.
O calendário tarifário ainda distorce a demanda: veículos eletrificados montados e semidesmontados pagam a alíquota cheia de 35% desde julho de 2026, enquanto os kits completamente desmontados seguem tributados em 14% até o fim do ano, com uma cota de tarifa zero de US$ 463 milhões válida apenas até 31 de dezembro.
No fluxo de caixa, o banco vê apelo limitado, com rendimento médio em torno de 5% entre 2027 e 2029.






