A Genial Investimentos enxerga potencial de valorização entre 20% e 50% para as ações da Petrobras (PETR4), com preço-alvo entre R$ 58 e R$ 59 por ação em um cenário intermediário de redução do prêmio de risco. O gatilho não é operacional, e sim político.
“Uma eventual vitória de um candidato pró-mercado poderia alterar rapidamente a percepção de risco, reduzindo o retorno exigido pelos investidores antes mesmo de qualquer mudança material nos resultados operacionais”, aponta Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos.
O que mudou o quadro foram as pesquisas. Depois de um período longo mostrando favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os levantamentos recentes passaram a indicar retomada de Flávio Bolsonaro.
Na leitura da casa, a eleição seria apenas o início do processo, e a sustentação da reprecificação dependeria de nomeações e decisões verificáveis ao longo do tempo.
Fundamentos melhores, múltiplos menores
A companhia combina retorno sobre patrimônio elevado, geração de caixa expressiva, dividend yield atrativo e uma relação entre reservas e produção relevante. Na comparação com as majors globais, sai à frente na maioria dos indicadores fundamentais.
Mesmo assim, negocia abaixo de todos eles. O desconto chega a cerca de 20% ante as estatais Sinopec, CNOOC e Equinor, e a até 50% na comparação com as privadas Exxon, Chevron, BP, Shell, Total e ConocoPhillips.
“Por deter fundamentos superiores, achamos que a Petrobras deveria negociar em um patamar intermediário entre os pares privados e estatais”, diz Sousa.
A corretora considera os 50% otimistas demais, porque a comparação inclui estatais chinesas, cuja governança responde a interesses centralizados do partido, e não a conselhos de administração.
As duas contas que levam ao preço-alvo
A primeira simulação fecha o desconto no múltiplo de valor da firma sobre Ebitda. Nesse exercício, o preço justo seria de pelo menos R$ 59 por ação. Se todo o prêmio das privadas fosse eliminado, o alvo chegaria a R$ 72, número que a própria casa classifica como otimista demais.
A segunda mexe na taxa de desconto. O modelo da corretora usa custo médio de capital de 15%, contra 12% aplicado aos pares privados. Reduzir esse prêmio levaria o preço-alvo à faixa de R$ 53 a R$ 62. Usar exatamente a taxa das privadas parece exagero à casa, mas trabalhar com 13% a 14% não. As duas contas convergem para a faixa de R$ 58 a R$ 59.
O que sustenta e o que ameaça a tese
A base dos fundamentos está no pré-sal, com campos de alta produtividade e petróleo leve, hoje responsáveis por 80% da produção. O declínio é esperado a partir de 2030, e a exploração da Margem Equatorial e da Foz do Amazonas deve trazer respostas a esse horizonte, com indícios de hidrocarbonetos já encontrados nas perfurações recentes.
“O desconto se justificaria pela natureza estatal, exposta a decisões que nem sempre se alinham aos interesses dos minoritários, e pelo maior prêmio de risco cobrado dos ativos brasileiros”, observa Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos.
A ressalva é de grau, não de existência: a casa concorda que algum desconto deve haver, mas discorda do tamanho.
Entre os riscos listados estão a expansão do plano de negócios para refino e petroquímica, a restrição maior a dividendos após a mudança do estatuto social, a alteração da Lei das Estatais em dezembro de 2022 e possíveis investimentos em gás natural.






