As ações da Tupy (TUPY3) recuavam 5,53% na manhã desta sexta-feira (7), negociadas a R$ 14,19 às 10h33, após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026.
A queda ocorreu mesmo com sinais de recuperação frente ao início do ano. Bradesco BBI, BTG Pactual e XP consideraram que os números ficaram próximos de suas estimativas, mas a comparação anual permaneceu fraca e o resultado ficou abaixo do consenso mais amplo do mercado.
A receita líquida caiu 5,8% em um ano, para R$ 2,47 bilhões, mas cresceu 7,3% frente ao primeiro trimestre. O Ebitda ajustado recuou 25,8% na comparação anual, para R$ 156 milhões, enquanto avançou 57% em relação aos três meses anteriores.
A margem Ebitda ajustada ficou em 6,3%, abaixo dos 8% registrados no 2T25, mas superior aos 4,3% do primeiro trimestre. A companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 11 milhões, revertendo o lucro de R$ 24 milhões apurado um ano antes.
Ebitda da Tupy fica abaixo do consenso
O consenso compilado pela LSEG projetava Ebitda de R$ 168,8 milhões e lucro líquido de R$ 36 milhões. Embora tenha ficado alinhado às projeções de Bradesco BBI e BTG, o desempenho da Tupy não alcançou essas estimativas mais amplas.
O Ebitda reportado somou R$ 122 milhões. O número foi afetado por R$ 36 milhões em despesas não recorrentes, incluindo R$ 28 milhões em provisões, R$ 6 milhões em baixas de ativos e R$ 2 milhões em depreciação de ativos não operacionais. Excluídos esses efeitos, o indicador atingiu os R$ 156 milhões considerados pelas casas.
O prejuízo líquido, por outro lado, foi menor que os R$ 20 milhões projetados pelo BTG e também superou a estimativa do Bradesco BBI. O desempenho foi favorecido pelo resultado financeiro melhor que o esperado e pelo controle das despesas operacionais.
Na avaliação de Daniel Federle e Ricardo França, do Bradesco BBI, os sinais sequenciais não foram suficientes para compensar a comparação desfavorável com as expectativas do mercado.
“Consideramos os resultados negativos, pois, embora em linha com as nossas projeções, frustraram as expectativas do mercado e evidenciaram margens ainda fracas e alta alavancagem”, afirmam os analistas.
Mercado doméstico segue pressionado
A receita obtida no mercado interno caiu 14% em um ano, para R$ 983 milhões. O desempenho refletiu principalmente a fraqueza das vendas de veículos pesados, diante dos juros elevados e da desaceleração do agronegócio.
No exterior, a receita permaneceu praticamente estável em R$ 1,49 bilhão. Na comparação trimestral, entretanto, as vendas externas cresceram 6%, apoiadas pela recuperação gradual do mercado europeu e pelo aumento das encomendas na América do Norte.
A valorização do real e do peso mexicano frente ao dólar também pressionou os resultados. Segundo a companhia, o efeito cambial, combinado ao menor volume de produção e à menor diluição dos custos fixos, reduziu o Ebitda em aproximadamente R$ 104 milhões na comparação anual.
Para Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP, a melhora do backlog da própria Tupy na América do Norte oferece uma sinalização mais favorável que os dados apresentados isoladamente pelas fabricantes de veículos.
“Vemos o 2T26 como mais um trimestre de transição, com melhora sequencial e sinais iniciais de que as condições operacionais atingiram o fundo do ciclo. Continuamos esperando que o 3T26 seja um ponto de inflexão mais relevante”, afirmam os analistas.
A XP também destacou que os ganhos de eficiência e a melhora do mix de produtos ajudaram a elevar a margem Ebitda em 2 pontos percentuais frente ao primeiro trimestre. A casa considera que essas iniciativas poderão sustentar uma recuperação adicional da rentabilidade durante o segundo semestre.
Leia também:
Dívida cai, mas alavancagem permanece elevada
A dívida líquida da Tupy recuou 8% na comparação trimestral e 26% em um ano, para R$ 1,9 bilhão. A geração de caixa operacional atingiu R$ 303 milhões, crescimento anual de 185%, beneficiada pela redução das necessidades de capital de giro.
Os estoques diminuíram R$ 117 milhões durante o trimestre. Apesar disso, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado aumentou de 4,02 vezes no primeiro trimestre para 4,14 vezes no 2T26.
A elevação ocorreu porque o Ebitda acumulado nos últimos 12 meses permaneceu pressionado, e não por uma nova expansão da dívida. A XP esperava alavancagem de 4,8 vezes e avalia que o indicador poderá ter alcançado seu pico cíclico.
Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG, também enxergaram melhora sequencial nos volumes e nas margens. O banco, contudo, manteve recomendação neutra para TUPY3 diante da valorização acumulada pela ação antes do balanço.
“De modo geral, acreditamos que o segundo trimestre mostrou sinais sequenciais de melhora nos volumes e nas margens, em meio à execução consistente da recuperação em curso. Esperamos que essa tendência continue ao longo do segundo semestre”, afirmam os analistas.
O Bradesco BBI adotou uma posição mais cautelosa. Para a casa, a Tupy negocia com múltiplos superiores aos de empresas comparáveis, enquanto a valorização recente já incorporava parte da expectativa de recuperação dos resultados no segundo semestre.
Diante desse cenário, o banco prefere aguardar sinais mais claros de expansão das margens e redução da alavancagem antes de assumir uma visão mais favorável sobre TUPY3.







